Praticamente na véspera fiquei sabendo que a programacão do feriado seria dar a volta na Ilhabela remando. Acho que entrei nessa porque não tive muito tempo para pensar…rs. Também na véspera encontrei com o João na festa do Haka e lancei a idéia, conseguindo mais um agregado para o que seria a EXPEDICÃO BAIACU – 102km em dois dias de muito remo. O Capitão Baiacu, Sr Zé Alfaia comandou a operacão. Estudada minusciosamente; tínhamos mapa ,gps ,conhecíamos ventos, correntes, tempo, paradas. Tudo super bem estudado. Quinta feira de manhã por volta das 9hs saímos da praia das cigarras em São Sebastião com destino ao sul da Ilha, e a largada foi dada com um grito veemente do nosso capitão “Eu estou FELIZ DA VIDA!” e realmente, remando com amigos num dia ensolarado, num lugar paradísíaco?! Todos nós estávamos FELIZES DA VIDA (e não era da boca pra fora!) Passamos pelo centro para ver alguns barcos da semana da vela que estava rolando, e fomos. O dia estava maravilhoso, solzinho de inverno, água fria! Paramos perto da ilha das cabras para um lanchinho. As embarcacões levavam tudo; barracas, sleeping bags, comida. Dois caiaques duplos; eu remava com o Baiacu Buda (!? o Marcinho!!), a Fe remava com o Baiacu Arraia (O Caco, o cara que pesca mais coisa que não pode no mundo) O Capitão da expedicão ia sozinho, e na canoa o Baiacu havaiano..(rs o João) Remamos muito, na ida passaram várias canoas motorizadas pela gente, e a brincadeira era sair remando feito uns retardados para tentar pegar esteira, o Caco e a Fe comecaram com a brincadeira que logo virou disputa, e como cachorros de interior atras de fusca, remávamos dando tiro perseguindo as mais coloridas canoas. Remamos horas até que resolvemos parar no Bonete, aonde depois de muita conversa conseguimos convencer os Baiacus mais rebeldes de que pescar não seria uma boa, vamos num restaurante mesmo! Devidamente com o estomago cheio fizemos o trecho final de remo do dia, com destino à praia de Indaiauba. Primeiro dia – 6hs de remo e 47k já tinham ficado pra trás.
A pequena praia que a gente escolheu como destino para dormir, era simplesmente privada e logo fomos “recebidos”por quadriciclos pilotados por capangas que queriam saber quem eram os metidos a pirata que invadiam a “pequena” fazenda tropical do Baiacu Sagatiba, mas esse foi um capítulo à parte. Esperamos duas horas para que fosse dada a autorizacão para abrirmos nossos sleeping bags sob um estaleiro na praia, e lá dormimos com vista para o mar iluminado por uma lua quase cheia que agora minguava!
Segundo dia acordamos cedinho, café da manhã com croissant e geleia de morango que a Baiacu Fe levou. O dia estava um nublado ralo com um sol bem tímido. Remamos na pegada 4hs, passamos pelo lado assustador da Ilha; a ponta do boi, um paredão enorme de pedras na costeira. O mar revolto borbulha, muito navio afundou por lá! Na ponta da Pirabura vimos golfinhos! Pegamos correnteza e vento contra para cruzar a bahia de castelhanos e finalmente chegamos na metade do caminho, paramos no saco do Eustáquio para almocar; o Baiacu Arraia foi pescar….aiaiai! vocês nem imaginam ele arremessando o anzol na areia quase em cima do próprio pé…rs “Caco eu vi!” Os outros aproveitaram uma deliciosa refeicão preparada pela cozinha flutuante local! Depois do almoco o Baiacu Buda resolveu incorporar o Havaiano, trocadas as embarcacões fiquei remando com o João. Alguns minutos depois o João gritava desesperado; “Me tira daqui essa menina não para de falar!” e o Marcinho respondia “Entendeu agora porque eu quero sofrer na canoa havaiana?!” João, obrigada, adorei ficar tricotando com você, o tempo passou rapidinho! E melhor; eu nem remei…rs! Vamos que hoje ainda tem muito remo, na ultima parada antes de voltar a todo vapor, fomos recepcionados pelo Rodrigo (filho do Zé) e pela Pati sua namorada que vieram de bote no encontro com a gente, foi animo e a torcida que nos acrescentaram um folego final com Coca-colas geladas e incentivos para o que estava por vir. O final foi como todo bom corredor de aventura gosta; anoiteceu, comecou a chover, esfriou, o vento e a correnteza estavam contra. Parecia a prova final, estavam testando a gente, ou aquilo no fundo seria a recompensa; de vencer mais um desafio que para muitos parecia loucura com aquele gostinho extra de superacão. No escuro, quando a gente colocava a pá do remo na água os planctons brilhavam, deixando rastro de estrelinhas flourescentes e de repente tudo ficou mágico; O capitão fazia a contagem regressiva dos quilometros depois metros e todos gritavam BAIACU! Na praia toda familia aguardava o Capitão que chegava na frente escoltado por seu mais fiel cardume, e a turma toda gritava junto;”FELIZ DA VIDA!!” Obrigada Selva; Marcinho Caco e Fe vocês são demais, obrigada João por ter acrescentado alto astral à expedicão, e Zé nosso capitão, à você um obrigado feliz da vida, você é a nossa inspiracão! (mais fotos flickr.com/lulicox)