Não demorou muito para nossa equipe perceber, que quando entramos no mundial; entramos rio acima. E apesar de toda correnteza contra; gancheira quebrada, pé machucado, hospital, mapa perdido, testa aberta, bike quebrada novamente, todos os indícios de que talvez o melhor caminho não fosse para cima, era o rumo que nossos corações e mentes nos mandavam seguir; continuem remando!
Nosso objetivo foi alcançado, e embora cortados, completamos nossa prova. Viemos, nos divertimos e divertimos muita gente também.
Saí do Brasil segura de que a equipe em trio estava muito integrada, o Rafa e o Felipe me mostraram que eu estava certa; foi maravilhoso correr com eles.
Fui muito surpreendida por duas partes da equipe. Primeiro, um espanhol que desconheço seu mau humor. É sorrisos e alto astral. Durante os quase 7 dias de prova não ouvimos uma sequer reclamação ou cara feia, topava qualquer decisão que a equipe resolvesse tomar, e seguia com suas brincadeiras e bom humor alegrando ainda mais a todos. E com todos os fans que Antonio de la Rosa tem pelo mundo, arrumou mais uma.
Segunda melhor surpresa; dois meninos encantadores que sem nos conhecer toparam entrar em uma roubada máster. Seguir uma turma de pessoas que praticam um esporte de louco, passar noites sem dormir, passar dias sem tomar banho, dirigir por quilômetros, carregar e descarregar o carro inúmeras vezes, fazer comida, separar material. André e João fizeram tudo isso com classe; rindo, adicionando alto astral à receita, fazendo bagunça por onde passavam e confraternizando com apoios das outras equipes. Aprontaram tanto que provável, que tenham mais que contar do que aqueles que correram a prova.
Conclusões que posso tirar da experiência; engatinho no esporte! Por outro lado, é magnífico poder estar aqui.
Correr o mundial, foi como ir à um show e sentar na primeira cadeira do camarote vip. Estar pertinho daqueles que admiramos, poder ver, escutar e até tocar.
Depois da última noite de prova, passando frio, tomando chuva, sofrendo de sono, fome, cansaço e exaustão, amanheceu. E depois de uma semana nublada, o sol apareceu.
Após a tempestade, veio a calmaria. Pedalamos os últimos 30km da prova pelos campos verdes de Portugal, até chegar à uma praia de areia branca. Realçando a beleza do lugar; o pórtico. Ali terminava o mundial. Com a bandeira Brasileira em mãos e todos aqueles que nos incentivaram, no coração, cruzamos a linha de chegada.
Obrigada ao nosso patrocinador Kailash por acreditar no nosso sonho.
Seguimos assim, nós corredores de aventura, sabendo transformar cicatrizes em medalhas.