Dois mil e quinhentos bikers reunidos na praça principal da pequena cidade de Riva del Garda. Com modelito cor de rosa, fui parada por alguns atletas que reconheceram o uniforme. “Você fez o Cape Epic!” sempre com uma afirmação, depois vinham outras perguntas como “Cadê sua companheira?” “Veio do Brasil fazer essa prova?”
Foi divertido entrar no meio de um povo que tem bike nos genes. O programa ali era familiar, mulheres e crianças, acompanhavam.
Entrei no meu bloco de saída o “D”, olhava à minha volta e só via na maioria homens de 2 metros e pouco, loiros e com cada perna que me dava até medo de largar dali daquele meio. A maioria olhava para mim e divertía se ao ver que além de rosa eu tinha anteninhas.
Todos os percursos largavam juntos e só no final do menor percurso que as bikes iriam dividir-se. No meu caso que tinha escolhido la “ronda Piccola” seriam 53 quilômetros com uma subida gigantesca e depois um downhill, resumindo era exatamente isso um único sobe e desce! Optei por esse percurso porque fui com o João Marinho (o português que me convidou para a competicão) ele iria fazer o percurso extremo (de 104kn) e imaginei que iríamos demorar o mesmo tempo para fazer. Dito e feito ele completou a prova um pouco depois de mim…
Na terceira largada saí, e logo deixando a cidade, a subida já começava. Pedalando, cantando e brincando, claro que ali no meio de italianos, alemães, suíços, tinham os que achavam graça e os que faziam cara feia. Mas a maioria divertia se.
Já via se Riva del Garda lá embaixo afinal seriam 1600 de uphill, a vista começava a ficar expressiva. Alguns vilarejos em meio à morros e os ciprestes verdes, a paisagem típica me lembrava à todo momento “Estou na Itália”.
Ao final de uma subida pesada passando por um vilarejo, ao lado de uma igreja, de repente: as badaladas, eram 9 horas da manhã. No exato momento que passei por ela o sino começou à tocar. “Perfect timing!” me emocionei, as estrelas realmente estavam alinhadas.
Pedalei um bom tempo com uma dupla que estava numa tamden eu passava, eles me passavam, e numa dessas ultrapassagens um deles falou “You arre sstrrrong!” Foi o melhor elogio! Não pelas palavras, mas pelo sotaque; vindo de alemães, quer coisa melhor?
Em outro uphill muito pesado, as pessoas estavam empurrando a bike, era um trecho não longo, mas tão ingrime que a bicicleta até empinava ao pedalar. Eu foquei e fui, pedindo licença à todos. Não demorou muito para começarem à gritar “Go Flower People! Go Go!” e com os incentivos foi fácil chegar ao final!
Foram mais que duas horas subindo, e o downhill era fácil, com apenas dois trechos mais técnicos. No primeiro deles escuto um “Hey!! I know you from Cape Epic.” era um dos fotógrafos da prova…small world!
Depois no plano sabia que a chegada estava próxima, eu estava me sentindo bem e forte. Encontrei com o Randy e o Charles da Rocky Mountain, amigos que fiz nessa viagem, como eu curtiam tudo aquilo.
O final da prova foi lindo, a paisagem era linda, e a energia não podia ser melhor. Não conseguia parar de gritar “Viva a Itália!”
Fiquei em 54 de 120 atletas na categoria feminina, olhando a nacionalidade ali na lista 80% alemãs?! Ta ótimo!
Obrigada ao João Marinho pelo convite e deliciosa companhia, ao Randy por me acolher no stand da Rocky Mountain e me emprestar os pedais, já que os meus foram esquecidos no Brasil!
À Kailash e a Neaf!
Life doesn’t get any better than that!