O destino do que seria o Geo Raid para mim, mudou para um universo paralelo dois dias antes da largada, quando então minha dupla ficou impossibilitada de ir.
Minha nova dupla Vera, aceitou enfrentar o desafio sem nunca ter pedalado a longa distancia de um dia. Aceitou encarar de frente os quase 200 km de prova e os 7 mil metros de desnível acumulado. Isso mesmo 7 mil!
Com o pequeno convívio que tivemos no dia anterior já havia dado para descobrir que e diversão estava garantida.

O Geo raid é uma prova em que você deve ser auto-suficiente. Segue o percurso pelo gps e se abastece de água pelas fontes e cafés do caminho. Na minha opinião, o gps é o futuro das provas. Além de ser mais prático para o organizador, é ecologicamente coreto, já que o percurso não tem que ser todo marcado com fitas.
Outra diferença das provas que estou acostumada é o handcap, mulheres e masters largam num horário antes de acordo com o cálculo de seu handcap (não me pergunte como ele é calculado que eu não faço a menor idéia).

Pois bem, quase uma hora antes dos meninos largarem lá estávamos nós saindo em disparada para um dia que seria longo 115 km, com um desnível acumulado de 3.923mts. A largada e chegada, todos os dias eram no topo da serra da estrela, ou seja, para voltar para “casa” teríamos que subir.

Uma descida longa e técnica, cheia de pedras e pedregulhos. A Vera já havia me avisado que ela tinha um certo receio de descidas. Nesse primeiro trecho eu curtia um pouco de descida, delirava nas partes técnicas e parava para esperá-la. E assim foi, antes mesmo de terminarmos a primeira descida, os meninos passaram pela gente. Ventando.

Eu, que já estava me entendendo super com o meu novo brinquedinho gps, comecei a fazer os cálculos e cheguei a conclusão que provavelmente veríamos o pórtico dali há 15 horas… “Ui!”
Dali em diante comecei a encarar a prova como um passeio. Não teve calor, diferença de ritmo, dificuldade da prova, que tirasse o nosso bom humor, Vera e eu seguíamos curtindo nossa nova amizade.

Uma região maravilhosa, vistas de tirar o fôlego. As vezes que tinha que esperar sacava a filmadora do bolso, atrás de imagens e cenas incríveis. Passamos por campos de trigo, no primeiro deles, entrei no meio da plantação e fiquei ali. Olhando para aquela imensidão, fazendo parte daquela paz, apenas sentindo o vento e ouvindo o som delicado da brisa brincando naquele interminável tapete de palha.
Inspirava fundo “Estou em Portugal.”

Encontramos uma dupla que andava no nosso ritmo, Bruno, um seguidor do meu blog! Descobri vários deles nas provas aqui em Portugal! Nossa como eu fico feliz! Seguimos com eles em bom trecho de provas juntos.

No quilometro 47 havia um ponto de controle, e quando chegamos lá descobrimos que havíamos pego o corte. Eu já desconfiava que isso pudesse acontecer, e no final foi bom ter sido ali no primeiro CP porque o caminho era um 8 e ele passaria novamente por ali. Por decisão da organização poderíamos continuar na prova, desclassificadas, cortanto 25 quilometros dessa alça. Assim num passe de mágica saímos do quilometro 47 para o 70 hehe. Quem não entendia muito isso eram todas as duplas que já haviam passado por nós!

O calor continuava castigando, e as subidas então nem se fale. A altimetria da prova é divertida de se ver, não tem absolutamente nada plano; ou você esta subindo ou descendo. Nesse trecho decidimos que no ultimo CP (km ) a Vera seria resgatada. Os 19 km finais da prova seriam sempre para cima. Pedalamos então até a cidade e la no ponto de controle ligamos para o Ismael ir ao nosso resgate. Enquanto ela ficou esperando o marido, eu fui comprar uma Cola e alguns croissants de chocolate, energia para encarar a subida final. Quando voltei nos despedimos e lá fui eu.

Saí em disparada aproveitando toda a energia que tinha. Decidi que iria passar 10 equipes nessa interminável subida. Uma dupla a frente “Atacar!” e foi assim; cantando buzinando e brincando que passei não 10, mas 20 equipes no caminho de volta. Parecia que as estrelas do meu capacete sabiam bem para aonde tinham que ir. E nos últimos quilômetros para a minha agradável surpresa o Frinxas, o João e o Ismael foram de bike me esperar para me acompanhar até o pórtico! O primeiro dia terminava ali com 11:40hs de prova e 90 e poucos km pedalados!