Na sexta feira à noite segui para a Paulista com meu irmão.
Passei o dia todo calada tentando digerir uma noticia muito difícil
de aceitar:

Julie morrera
atropelada por um ônibus.
Morena de 33 anos, bonita, alegre e cheia de vida, Julie
Dias, 33, era a mudança que queria ver no mundo; ia de bike para o trabalho,
incentivava doação de sangue e a reciclagem.
Lutava pelo espaço da bicicleta nas ruas. Lutava por um
planeta melhor.

A praça do ciclista estava lotada deles. No minuto que
coloquei o pé lá, absorvi a energia de centenas de pessoas e imediatamente
desabei no choro.
Alguns minutos após nossa chegada, a marcha já se
posicionava para sair. Pareceu hora marcada; no momento da saída São Pedro
desabou no choro. Um choro torrencial de profunda tristeza.  As lágrimas de todos se misturavam.
Sob o temporal, empurrando suas bicicletas, carregando
faixas, flores e cantando um mantra: “Mais amor e menos motor” as centenas de
bikers seguiram até o local do acidente, na própria Avenida Paulista.
Um movimento contraditório porque é tão lindo quanto triste,
emociona ver aquela quantidade enorme de pessoas unidas pela mesma causa. Uma
revolução serena.
A avenida foi interditada. Um minuto de silencio. São Paulo
parou, o mundo parou.
Naquele minuto me senti mais próxima a Julie. Naquele minuto
imaginei a mudança que Julie queria ver no mundo.  Carros e bicicletas conviviam em perfeita
harmonia.
Julie, esteja em paz.