A largada ficou comigo. Eu tinha 1’20 h para percorrer os nove
quilômetros e meio, pelos cálculos do Caco, nosso treinador, que me ajudou a
fazer a planilha de tempos e dividir os trechos equilibradamente entre as três
mulheres da equipe.

Lá estávamos reunidos na praia da armação. As paisagens de Florianópolis são
impressionantes! Que lugar maravilhoso!


Correr em trilha costumo comparar a uma criança quando começa a falar. Ela
escolhe sempre as palavras mais fáceis, é assim que corredor deve enxergar a
trilha; num vocabulário de pedras, a ordem é saber interpretar a trilha pela
lei do mínimo esforço e quanto mais rápida for a leitura mais ágil será o
corredor.
Sua cabeça deve estar sempre dois passos a sua frente.

Foi nesse jogo rápido de movimentos que me desafiei no percurso mais técnico de
corrida do Multisport Brasil.
Não somente de pedras subidas e descidas era feito o trecho, cruzamos uma praia
deserta de tirar o fôlego!

Cheguei à transição esprintando aflita que meu cronometro pudesse estourar o
tempo determinado. Missão dada missão cumprida: em exata uma hora e vinte
estava eu deitada no chão do AT tentando recuperar o fôlego.
A Bia saiu para o segundo trecho da prova: bike 28 quilômetros tempo estimado 1’30
h.
Fazer revezamento é uma experiência diferente das provas de aventura em que a
equipe toda tem que competir junta, aqui cada uma tinha seu trecho e quando não
estávamos competindo estávamos fazendo o nosso próprio apoio. Segui com a Dri para a área de transição seguinte.
Foto Foco Radical                     

Próximo à entrada da duna. Ficamos esperando a Bia chegar. E
não é que a morena foi bem ligeira?! Com oito minutos de folga ela finalizou o
percurso da bike. Chegou toda feliz que ultrapassou um monte de homem! Estávamos em terceiro na nossa categoria.
A Dri entrou para uma corrida de oito quilômetros em duna. O
sol estava forte, eu e a Bia já fomos rezando para o local da próxima transição
sabendo que a Dri iria sofrer, tudo o que o primeiro trecho tinha de técnico esse
tinha de dureza. Correr no areão não é nada fácil.
Foto Foco Radical                   
Quando chegamos à beira da lagoa para esperar a Dri alguns
atletas chegavam da corrida reclamando que haviam se perdido. Na mesma hora a
Bia e eu nos entreolhamos: “Ferrou!”

… to be continued…