_”Me diz o que que tu achas!” me disse enquanto subíamos a serra da Aboboreira. E continuou:

 _ “Porque nem que quisesse jamais conseguiria
fazer a etapa a essa velocidade.”
Esse é o custo de pedalar com o mutante João
Marinho, é preciso entender que ele não faz a menor idéia o que se passa com
nós; pobres mortais.
Tenho que
admitir que por mais que venha aprimorando essa consciência, ouvir aquilo
surtiu um efeito negativo, se já pedalava devagar meu ritmo caiu mais ainda.
A serra da
Aboboreira será a ultima etapa da Douro Bike Race com aproximadamente 50
quilômetros. Tem um percurso totalmente pedalável. Na edição do ano passado ela
era a primeira serra com a menor distancia dos três dias de prova, mas a menor
distancia não deve ser menosprezada. Houve quem dissesse que foi a etapa mais
dura.
Em minha
opinião esse ano não será muito diferente.
A primeira
parte da etapa é feita de sobes e desces. Logo nos primeiros quilômetros é
possível ver de longe (bem longe!) um “casal” de torres eólicas no topo da
serra:
_ “Está
vendo aquelas torres?”
_ “Sim.”
_ “É por lá
que iremos passar.”
Nas 2 horas
seguintes eu desejei arduamente não ter essa informação.
A subida ao
topo da serra tem alguns patamares para o alívio das perninhas e das ovelhas =)
logo no primeiro deles numa reta de asfalto encontramos com um carro de doces!
Eu já no auge da minha hipoglicemia ataquei um folhado com creme, e logo meu
humor já começou a melhorar. Não! Eu não fico mal humorada de fome. Ouviste?!
Toda a
dureza da etapa é recompensada com a beleza do alto da serra; lá um enorme
planalto verde emoldura a vista da cidade e arredores. As estradas de areia
branca refletem o sol. O vento sopra. Ali é possível sentir se mais vivo. A
segunda recompensa da etapa é o downhill; com trilhas bem variadas, algumas
técnicas e deliciosas de se descer de volta até Amarante.
Resumindo e
respondendo a pedidos vou enumerar os inimigos da etapa da serra da aboboreira:
1º João
Marinho: esse será sempre o seu primeiro inimigo, foi ele que escolheu a dedo
as trilhas da Douro Bike Race. O que pode ser incrível porque teremos sempre os
trilhos preferidos de um mountain biker apaixonado, também pode ser um problema
porque nesse caso a referencia de esforço que ele tem é a dele.
2º O calor
pode ser outro vilão nas etapas, para nós brasileiros o calor é diferente; é
seco e às vezes quando percebemos já é tarde demais. Uma parada num tanque foi
abençoada, o mergulho na água gelada prolongou um pouco a vida útil da minha
bateria. Um pouco. Portanto hidrate-se e refresque-se!
3º As Silvas
e Urtigas. Silva para quem não é de Portugal é um arbusto cheio de espinhos e
Urtiga é outro arbusto que ao tocar a pele deixa um ardor não muito agradável.
A sorte dos atletas é que nos pontos mais críticos as trilhas serão limpas para
a competição.
4º A
distancia. A etapa da aboboreira não deve ser encarada como uma etapa
curta porque ela é dura. Não largue com aquele pensamento de ultimo dia “Já
ganhei!” ou “Já terminou!” Respeite a montanha!
5º Last but
not least; As torres eólicas. Inimigas do psicológico. Se você olhar para cima
sempre irá ver lá no topo do mundo os malditos gigantes cata-ventos brancos, e
por mais que você pedale na velocidade do “chefe” vai demorar a chegar lá
acima. Portanto foque no presente, não olhe para cima e divirta-se!
*Observação durante metade do percurso a autora da postagem estava quebrada a outra metade com fome. A mesma encontra se em uma fase destreinada na bike. O leitor deverá levar essas questões em consideração ao interpretar o texto.