Lá estávamos João e eu na largada da maratona de patins, mais de seis mil atletas prontos para largar sobre rodas para o mesmo percurso que 40 mil correriam no dia seguinte.

Eu nunca tinha visto o João patinar, e confesso que quando colocamos os patins ali na reta do pórtico fiquei um pouco preocupada. Nós tínhamos combinado de fazer a prova juntos, eu no auge da adrenalina estava querendo abandonar o Jony. 
“Nossa, que malvada! Você mete o rapaz na roubada e ainda abandona o barco?”
Santa competitividade! Eu queria saber qual era o meu limite e se conseguiria bater o tempo do Marílson; “Vamos para abaixo de 2:08 hs!”
Quando largamos segui atrás do Jony. Como ele disse; eu tinha a força da técnica e ele a técnica da força. Mesmo com pouco domínio sobre rodas o mutante conseguia patinar numa velocidade muito boa. Momento de alívio: “Eba vamos juntos!”
Com menos de um quilômetro de prova o João levou o primeiro tombo. Parar numa situação dessas com inúmeros patinadores atrás é impossivel, então eu segui devagar olhando para trás tentando ver se ele vinha. Assim fui seguindo e nada do Jony aparecer.
O tempo estava bom, o que garantia curtição total, a prova seria um passeio turístico pela capital alemã. Mas como o speaker anunciou com tempo bom acontecem mais acidentes, era preciso redobrar atenção. O percurso cruza trilhos de bonde e tem algumas irregularidades, mas tudo muito bem sinalizado, e mesmo os patinadores vão alertando uns aos outros.
As descidas que tanto me assustavam ficaram pequenas em muitos momentos eu até torci para que a inclinação fosse maior. 
Continuei curtindo o percurso quando fui ultrapassada por um jato: “Byeeeeeee!!!” era o mutante e sua vingança, nesse caso o prato que dizem que se come frio ainda estava pelando.
Flamulando a bandeira branca: “Eu estava te esperando!” segui atrás dele.
Pronto! Bandeira amarela; corrida neutralizada. Seguimos uns bons quilômetros juntos: “Beleza! Estamos num pace bom, o objetivo é tangível! Bora lá!”
“Eu já caí várias vezes!” _logo em seguida ele estava no chão novamente. 
“Quer água?”
“Não, não, não!”
Não podia existir nenhuma interferência externa na patinada do João que seguia concentrado em se equilibrar e aplicar força. Eu fui ficando para trás e vendo sua determinação sumir no horizonte.
Faltando alguns quilômetros para o final começou a chover. Na hora lembrei do meu irmão (que estava lá na chegada nos esperando): “Não fica falando que a maratona de patins vai ser fácil porque de repente vocês pegam vento contra e chuva.”_Santa boquinha!
O Asfalto parecia um sabão. O sonho em ser pacer do Marílson estava indo por água abaixo! Mas depois de alguns minutos de chuva parece que o asfalto absorveu a água e ficou um pouco menos escorregadio. Reta Final!
Fechei o percurso em 2:07:13! Yuhuuuu!!! Logo após o pórtico, com um minuto e meio de vantagem, o Jony me esperava de braços abertos e um sorriso luminoso. Um beijo selou mais um desafio maluco vencido e nesse final de história o mocinho fica com a bandida!

Life is good!