O Xterra marcaria o final do meu calendário de treinos intensos, representando a Suunto eu iria correr o triathlon rústico. O primeiro da minha vida.

A Etapa de Ilhabela nesse ano era a prova brasileira classificatória para o mundial que acontece no Havaí, o berço do Xterra. Mas isso não estava nos meus planos, ganhar na categoria parecia algo bem distante da minha realidade: eu nunca nadei em uma competição, não treino bike há séculos e provavelmente não recuperaria o tempo perdido na corrida a única modalidade que eu me sentia confiante.

Mas vamos à largada:
Ao lado da Raquel e Bia, que também fazia sua estreia na competição, eu atormentava com perguntas:
“Como entro na água?”
“Já coloco o óculos?”
“Vou tomar cotoveladas?”
“Tem que pular do Pier?”
“Ai meu Deus, eu não sei nadar!”

É incrível como a ansiedade e a adrenalina vão embora rapidinho com a buzina da largada. Nesse momento eu descobri como se entra na água, descobri também que tomaria algumas cotoveladas e que elas não eram tão traumatizantes como minha expectativa. Descobri que nadar no mar com várias pessoas me tira o medo de tubarão!

Sofri um pouco para descobrir a direção que tinha que seguir, mas depois encontrei meu caminho; rebati o azimute da bóia no relevo de São Sebastião, assim sabia para onde ir seguindo as montanhas.
Em alguns trechos apareceram uns bancos de areia e foi possivel caminhar na água, mas a alegria não durava muito.
Eu saí da água com o pelotão do fundo, quase varrida pelos caiaques. Mas pronto, 1,5k de natação já tinham ficado para trás!

Entrei cheia de vontade para a bike.
Dizem que os 25 quilometros do mountain bike de Ilhabela são o mais técnicos de todo o circuito mundial. Aí que os ventos viraram ao meu favor, porque se fosse para disputar a prova em força e explosão eu estaria na roça…agora na técnica a brincadeira começava a ficar divertida.

No começo foi um pouco complicado, como eu saí muito para trás da água ultrapassar atletas no singletrack da bike foi um pouco difícil.
Vibrei com o precurso da bicicleta, realmente o nível de dificuldade era alto e desafiador. Um sorriso atrás do outro a cada descida e subida conquistadas. Numa dessas empolgações tomei um tombo fenomenal: “Toma! Para com a confiança excessiva! Volta pra terra.”

A bike foi bem assim: tava dificil de me controlar, mesmo com as subidas insanas que tinham no meio do percurso, eu estava me divertindo tanto com a pilotagem que até esquecia do cansaço.
Fazia tempo que não curtia tanto um circuito de mountain bike assim!

A corrida também mostrou se tecnica, não tanto como a bicicleta, mas o percurso também exigia preparo. Na primeira grande subida eu já comecei a “chorar” e andei.
“Será que deveria estar andando aqui?” _ me sentindo culpada em não estar trotando, mas minhas panturrilhas gritavam de fadiga.

Mas mais uma vez ao entrar na trilha me distraía. Ao lado da natureza cheio de endorfina meu corpo sorria. Rapidamente o circuito chegou ao fim. Com 3h52 de prova cruzei o pórtico de chegada realizada, mesmo ainda sem saber que era a primeira na minha categoria e que a vaga para o mundial no Havaí estava garantida!

Obrigada SUUNTO pelo apoio incondicional, por fazer parte e compartilhar um circuito tão incrível como o Xterra. Obrigada sempre aos meus patrocinadores e apoiadores.

Parabéns Bia e Andre Lemmi que também ganharam em suas respectivas categorias, bora pro Havaí!
Aloha!