Imagine uma
competição de corrida em que a largada não é tumultuada, em que não tem fila
para retirar o chip ou guardar a bolsa. Em que a maca de massagem está livre.
Imagine uma competição de corrida de rua em que todos os inscritos não correm,
voam! Essa é New Balance Excellence Series, um desafio de 15 quilômetros que
para fazer parte é preciso ter índice.
O clima era esse
quando cheguei ao Jockey club pedalando: uma arena de primeira linha montada
esperava os privilegiados atletas. Colucci, Vera, Lu…Encontrei vários amigos e a ansiedade pré
corrida ficou de lado esquecida.
New Balance gringa
representada por Kristen e outra americana, New Balance Brasil em peso, a
primeira competição no Brasil com o nome da marca estava nascendo, ninguém
queria ficar de fora, muito menos eu.
Quinze quilômetros
seria uma boa prova para entrar na linha e treinar para a meia maratona da
Disney que está logo aí. A minha meta era 1h15, um pace de 5min o quilometro.
Com certa confiança de que poderia sim ficar nela, afinal depois dos treinos
com o marroquino (leia aqui) eu tinha adquirido super poderes.
Largada. Lá fui eu
mais uma vez para o plano tosco* (*larga para a morte e torce para cair depois
do pórtico), o Ciro que não me escute, ele vive me dando dicas para me por na
linha mas minha razão abre espaço para o coração e saio correndo como se fosse
correr apenas poucos metros.
O dia prometia
calor, ciente do tempo que tinha pela frente já larguei sem camiseta. No começo
não tinha dificuldade em manter um ritmo rápido. Experiência nova; numa
competição normal estava num ritmo de pelotão da frente, ali tinha que brigar
para não ser das últimas.
Atravessando a
ponte passei uma menina que mantinha um pace muito parecido com o meu, usando
meia de compressão de oncinha: muito estilo! (congela a imagem).
Chegando a praça
panamericana, antes da metade do percurso avisto Kirsten, me sentindo na
obrigação de ultrapassar e mostrar que me comportei bem no ano acelerei. Dei um
sorriso e segui, confiante por fora, por dentro eu estava rezando para não
morrer ali na frente da chefe New Balance.
Plano tosco costuma
funcionar para mim, tá certo que eu começo a dar sinais de morte precoce antes
de cruzar o pórtico, mas a luta é sempre essa. 
“Cai depois, cai depois!”
“Luli você faz tudo
errado!” _esse era o Ciro versão imaginaria me alertando.
Meia volta no Vila
Lobos e quando chego novamente na praça panamericana  para minha surpresa  o percurso segue reto:
 “Serio? Não brinca que não iremos atravessar a
ponte de volta agora.”
Essa esticada de
caminho foi uma luta psicológica. Ninguém mandou não estudar o percurso!
Acompanhava o pace
no meu Suunto e o ritmo diminuía, mas que raio de estratégia era essa? Então
voltei a musica, comecei a prestar atenção na letra, olhar as árvores, sentir a
energia dos atletas que compartilhavam uma manhã incrível. Na curtição não
demorou muito e logo estava no quilometro final.
Nessa reta a menina
da meia de oncinha (descongela a imagem) me passa como um tiro e um pouco a
frente para, olha para trás como se estivesse procurando alguém: 
“Vim te buscar!”
“Serio?” com um
sorriso no rosto acelerei buscando forças que tinham se esgotado para
acompanhar o ritmo de voo de minha nova amiga Gabi, e lado a lado a corrida
chegou ao fim.
Um minuto e treze
segundos mais rápida que minha meta, cruzei o pórtico comovida.
Parabéns New
Balance pela organização de uma competição tão top e diferenciada. Tenho
orgulho em fazer parte desse time!
Obrigada Gabi pelo
resgate e doação de energia extra!
Que venha logo a
próxima! Life is good!