Enquanto eu competia a corrida de obstáculos em três Rios, minha cara metade fazia o sua primeira competição de triathlon bem longe dali.

Tudo começou uma semana e meia antes da corrida, quando Evandro da Fünf sports deu a ideia de eu fazer o Triathlon Internacional de Santos, minha cidade atual.
“Vamos! Mais uma aventura! Meu maior desafio será o mar.”

Chegando em casa fui pesquisar as distâncias: 1,5km natação (frio na barriga), 40km de speed e 10km de corrida.
Apesar de Luli e eu sermos parecidas em várias coisas, também somos diferentes em muitas; ela vai sem pensar e eu fico remoendo a competição até chegar o dia D.
Depois do convite olhava todos os dias o mar, imaginava a distância e logo batia o desespero.

Um final de semana antes fui fazer o meu treino de natação, consegui nadar 200 m com dicas da nossa amiga Raquel Varela Bastos.
Adivinha onde estava o meu problema?
Em minha cabeça! Obvio que comecei a perder o fôlego e tentei me concentrar, mas não deu meu desespero só me atrapalhou. Saí do mar pensando nesse meu jeito e qual seria a melhor forma de melhorar.

Na semana antes eu não pude treinar porque queimei minha canela descendo de corda em um treino de crossfit então estava proibida de entrar na água do mar de Santos.

O dia D.
Pronto lá estava Márcio ( o marido mais legal do mundo que apoia todas as loucuras da Flower Peolple Team) e eu para retirada dos Kits. O mar não saia da minha cabeça. Umas horas antes entrei nele para testar a roupa de borracha que nossa amiga Daniela Paoli emprestou e vi que o mar não estava peixes ou melhor para manés como eu! O tempo mudou e aquele mar que vi todas as manhãs virou totalmente; ondas grandes e uma série atrás da outra.

Domingo, tudo combinado com a Fünf para cobertura e lá estou eu na fila para colocar o número em meu braço e panturrilha, acompanhada pelo Fávio que foi me filmando.

Entrei nas baias das bikes e achei o meu número, fiz tudo como Raquel me ensinou: “Veja perto de que prédio está sua bike, na hora de nadar veja se está vindo na direção do prédio que guardou em sua cabeça.”
Minha Nossa Senhora da Bicicleta! Muita coisa para guardar e aquele tamanho de ondas que me fez paralisar.
Resolvi então fazer amigos. Estava tão nervosa que comecei a conversar praticamente com todo mundo na praia.

Poucos minutos antes da largada eu entrei no mar com um pessoal de Recife, fomos até um pouco antes da rebentação. Lá eu tive certeza que ia ser um desafio, sai chorando de nervoso sem acreditandar que ia realmente ter a natação. “Será que era só eu a desesperada?”
Via os caiaques tentando passar a arrebentação e nada, eles voltavam e diziam que estava muito difícil. Imaginem o meu psicológico! Eu juro que tentei de tudo para me controlar.

Com uma hora de atraso, finalmente resolveram dar a largada, meu coração disparou:
 _ “Adriana, já que essa multidão vai entrar no mar você também pode.”.

Bummm… largada da Pró masculina e feminina e lá foram eles como guerreiros. A série das ondas tinha passado, logo em seguida foi o amador feminino e nessa hora começaram as séries voltaram.


Fui andando, me concentrando enquanto via as guerreiras da frente indo com tudo. Fiquei para trás com outras meninas me afastando mais para o lado esquerdo e passando as ondas.
_ “Passei a primeira. Beleza!”.  Na segunda tive que mergulhar um pouco mais, a terceira vi que o mergulho tinha que ser mais profundo a quarta onda eu vi que realmente o mar não estava nos seus melhores dias. Na quinta não me senti segura e quando terminei o mergulho a última onda veio junto com o desespero, com o medo, a angustia ai perdi total controle.
Foi um caldo atrás do outro, comecei a mexer os braços e o moço do jet ski não me via, mais caldo! Pedi para uma atleta me puxar e lá vem outro caldo, ela me ajudou mais de uma vez e lá veio outro caldo: “Agora não consigo mais te ajudar”.
Quando aparece um surfista que me deu sua prancha: “Afunda!”

Saí do mar chorando de desespero e decepção ao ver que várias meninas passaram e outras tantas estavam na mesma situação que eu.
No meio dessa confusão a natação foi cancelada.
Sem saber o que fazer fiquei um tempo parada na praia e percebi que as meninas que não haviam completado a natação começaram a ir para bike. Fui para a transição, mas não passei pelo pórtico porque imaginava que já havia sido desclassificada.

Coloquei as sapatilhas no meio da confusão: atletas reclamando que uns tinham nadado, outros não. Fiz tudo tranquilamente e minha sessão de bike começou e terminou embaixo de uma chuva deliciosa.

O trecho foi em sentido centro da cidade para pegar a estrada; “Nossa! mobilizar Santos um trabalho imenso para o organizador de prova fazer este Triathlon!”
Resolvi me divertir e entender como são os atletas dessa tribo.

Fiz a bike praticamente tranquila e feliz em saber que meus pés estavam sobre algo. Ajudei uma atleta que estava com problemas em sua bike e logo fui tentando me entrosar com outros atletas, mas não tive retorno. Alguns elogiaram as antenas do capacete e deram risadas com a super buzina, outros passavam quase por cima de mim como se eu não existisse, a diferença de tribos em alguns momentos se tornava muito nítida.

Sem perceber já estava novamente na transição sem a mínima ideia de quanto tempo havia feito na bike.

Já na corrida eu imaginava que não iria fazer um bom tempo por estar 2 meses sem correr.
O clima continuava perfeito sem sol e mais fresco que o normal. Fui com a Go pro falando, entrevistando, trotando e quando vi faltavam só 2,5km. Nem percebi. 



Com uma acelerada final cheguei e não me pergunte de tempo, porque não vi também.
Passando o pórtico encontrei com Flávio da Fünf sports, me deu os parabéns e viu que tudo que havia filmado não foi filmado “Hurrrrrr… não acreditoooo!”.

Minha experiência no triathlon?
Como diz minha irmã; “A experiência te engrandece sempre. Sem controle é praticamente impossível fazer qualquer coisa, você precisa se entender e controlar as sua cabeça, só isso!”.

O mar que me aguarde, da próxima vez estarei mais forte que ele!
Obrigada Mana você sempre será a minha metade.