Demorou um pouco para eu entender os planos que o google map tinha para mim. Muitas vezes eu tentava acompanhar o track no meu relógio e de repente estava fora. “Mas eu não vi onde virar.”

Os planos eram mais mirabolantes do que eu podia imaginar. Numa das vezes que perdi o track a unica alternativa era seguir uma estrada movimentada horrível mas como não tinha placa proibindo (geralmente tem) e era por um ou dois quilômetros fui.

Ai já irritada cheguei em Fos-sur-Mer uma cidadezinha muito bonitinha, deixei a bike e subi até a Igreja sobre ruínas que fica no topo da cidade. Vista bacana! Andei mais um pouco e parei numa padaria ainda eram 11 da manhã mas eu já estava querendo almoçar. Finalmente aprendi que nesse esquema tem que comer a qualquer hora.

Para sair de For-sur-Mer também a estrada ainda não ficava bonita, mas o espertinho do google me jogava nas estradas de terra ao lado do trilho do trem, não era a coisa mais linda do mundo mas pelo menos não tinha movimento algum. Depois de horas assim descobri que pedalei em zonas privadas.
Estudei o caminho e escolhi a passagem por dentro de um parque natural e tive que pegar uma micro balsa para travessia para entrar na área de proteção ambiental. Bikes não pagam!

Finalmente Parc Naturel regional de Camargue. Que coisa linda! Primeiro passei por um vilarejo Salin de Giraud para mais uma parada para comer, dessa vez ataquei os bolinhos que levava comigo enquanto admirava a paz do lugar.

Depois segui o track, que quando programei escolhi que estaria de bicicleta, em muitos países isso não funciona porque não existe uma estrutura apta, mas na França…Ah na França! Apareceram as ciclovias e os ciclistas. O caminho traçado foi cruzando o parque natural por estrada que só podia bike ou pessoas.

O paque todo plano com vegetação rasteira e muita água. Pedalei por horas numa estrada que parecia uma passarela mais alta que o entorno e rodeada de água. Pássaros e de repente flamingos!
Cruzei vários bikers visitando a área e algumas pessoas a pé. Resolvi aproveitar o lugar incrível que estava e parar para fazer mais um lanchinho quando fui atacada por pernilongos gigantes. Imagino a quanto tempo os desgraçados não comiam. Tentei ficar andando de um lado para o outro mas mesmo assim eles não desistiam. Parecia sessão das 10 do SBT “O ataque sangrento dos pernilongos gigantes.” Nunca vi isso na vida! Enfiei o sanduíche na boca e sai pedalando. A 16 km/h tinha pernilongo voando no meu vácuo!

Na estrada mais para frente tinham alguns trechos de areião que tinha que descer da bike. Era algo que requeria um estudo antes para ser o mais eficiente possível, empurrar a bike e tentar matar os gigantes, subir de volta na bike correndo começar a pedalar e sacudir tudo para ter certeza que nenhum ficou grudado. Chegou a ser engraçado.

Finalmente após cruzar boa parte do parque cheguei em Saintes Maries de la Mer uma cidade que fica dentro do parque natural. A coisa mais linda! O centro de estreitas ruazinhas com lojinhas e restaurantes. Achei um hotel charmoso provençal e  aproveitei o final da tarde todo para curtir o destino conquistado após 73 km de pedal!