Saber que o encontro com Florent seria só na terça me deixou um dia extra para pedalar, e tão perto do destino final a solução seria encarar mesmo os 95 km que restavam para a “área de transição”. Combinei o hotel e ponto de encontro em Perpignan com a Pat e tracei a rota último dia de pedal.

Saí toda feliz em mais um dia ensolarado, só que estava gelado. Mais uma vez o google me jogou no meio dos parques naturais e dessa vez em um caminho que estava totalmente submerso. “E agora?”

Não sei porque mas há algo em mim que me impede de voltar, prefiro mudar a rota do que ter que andar para trás. Adivinhem para onde a alternativa me jogava? Mais uma vez para o push bike na praia.

Novamente no meio do parque natural perdida tentando encontrar o caminho para a praia me deparo com um homem de camiseta. Só de camiseta. Por uma fração mínima de segundo congelei, depois meu lento cérebro processou que estava numa área naturista (sabia graças a minha pesquisa prévia na internet)
“Por aqui está inundado disse ele.”
E eu pensava: Age como se nada estivesse acontecendo!
_ “Eu quero ir para Saint Pierre de la mer.”
Age como se nada estivesse acontecendo.Age como se nada estivesse acontecendo.
“Ah! Dá para ir por aqui.” apontando o caminho.
Age como se nada estivesse acontecendo.Age como se nada estivesse acontecendo.
“Obrigada!”

O push bike dessa vez foi caprichado; numa praia de areia totalmente fofa, não tinha uma terra firme para andar. Foi uma briga de mais de uma hora para conseguir chegar do outro lado com a Brava.

Num momento de “não aguento mais” olhei a distância para o final da praia e de repente Os pirineus! Lá estavam eles nevados e soberanos! Sorrindo para mim. Amoleci na mesma hora e o esforço descomunal que estava fazendo para tirar a bike do lugar passou.

Depois que retomei o track entrei em outro parque lindo, pedalava por uma estrada com água dos dois lados, e num desses troncos na beira da estrada parei para o lanche habitual de pão com camembert.

Mais uns quilômetros e com quase 60 passei na frente de um restaurante, como sabia que a jornada seria longa parei para almoçar. Primeiro fiquei amiga do cachorro que estava no meu pé, depois foram os seus donos que estavam na mesa ao lado, até vinho eles me deram! Santé!

Hora de seguir viagem. O track me jogou por caminhos que nem dá para descrever. Incrível como o google maps sabe das coisas! Finalmente às 18.30hs após mais um dia longo de 95 km de pedal cheguei ao destino final que fora programado para a viagem de bike. Na recepção mesmo encontrei com a Pat, minha companheira da segunda parte de viagem que voltava do supermercado trazendo o jantar: pão e brie! Viva a França!