O Canal du Midi é um canal artificial no sul da França que liga Toulouse ao oceano atlântico, tombado como patrimônio da humanidade além de suas pontes, eclusas e aquedutos incríveis ele tem mais de 4.000 plátanos plantados à sua margem. Esse é o cenário de aventura dos próximos dias.

Encontrei com a Pat em Perpignan onde é a sede da Redwood Paddle, uma empresa de pranchas de SUP. Lá fomos muito bem recebidas por todos! Eu já vinha ha dias combinando com Florent e tentando tirar eventuais duvidas sobre o novo plano de ataque.

Duas pranchas infláveis e dois remos, protótipos saindo do forno, novinhos prontos para testarmos nas águas francesas. A Pat já tinha  arrumado dois carrinhos para as nossas “portagens”, eu já tinha o track no meu Suunto e ambas já tínhamos as margens du Midi bem estudadas.

Pegamos o trem das 11 que até Toulouse. Mesmo sabendo que só teríamos a alternativa de entrar na água no meio da tarde decidimos seguir com esse plano, não queríamos perder tempo em Toulouse.
O canal du Midi passa a 50 mts da estação e no meio da cidade arrastando nossos carrinhos carregados achamos uma ponte. Ótima base para montarmos nosso plano de ataque na calada do dia.
Pronto pranchas infladas e carregadas com nossa bagagem para os próximos dias!

“Vamos entrar na água!” Aquele medinho de não saber se podíamos fazer o que estávamos fazendo deu um sabor extra às primeiras remadas.
O Canal du Midi realmente é mágico!

Um hotel ha quase 20 km do ponto de origem. “Isso vai dar justo com a luz do dia.” como os dias escurecem tarde sabíamos que tínhamos bastante tempo para remar mas ele era justo.
Com 10km de remo encontramos com a primeira eclusa. Já era 18.30 e isso nos fez por alguns momentos repensarmos o nosso plano, mas conseguimos wifi em um restaurante estrategicamente posicionado no nosso caminho de ataque e vimos que a opção de hotel era mesmo na vila que sabíamos Donneville. Seria preciso remar mais 8 quilômetros.

As portagens são muito trabalhosas, tirar toda bagagem e pranchas e remos da água andar com tudo isso até o outro lado e achar a melhor maneira de entrar de volta no canal. Mas como toda aventura o mais complicado (portagens, carregar as pranchas dentro do trem e andar quilômetros com o carrinho) é parte integrante divertida da experiência. Se fosse fácil, para a gente, não teria graça.

Quando saímos da água as 21 horas da noite já estava totalmente escuro, saímos ao lado de uma ponte. Eu logo quis ir explorar a área.

“Pat! nós estamos no meio do nada!” rindo já da situação que teríamos que enfrentar.
Mas minha companheira de equipe não se abalou, sai da prancha pegou seu celular e analisou o mapa. “O hotel deve ser para lá.” e nesse para lá tinha uma placa que indicava no caminho escondida no meio dos arbustos. Andamos mais de um quilometro no silencio e sob um céu lindíssimo estrelado, o último quarto do hotel era nosso! Voltamos para a margem para resgatar nossas bagagens desinflamos as pranchas. O árduo caminho pela segunda vez até nossa base do dia teve como recompensa peixe e batatas de jantar.

Tudo melhor que o planejado!
Obrigada Redwood paddle, a aventura promete!