Chegamos à eclusa de Gay para pegar as nossas pranchas e entrar na água. Dez da manhã, sem vento nenhum, o tempo estava um pouco encoberto. Dia perfeito para remar! Depois de 3 dias de muito vento não estávamos nem acreditando nas condições.

O começo da remada era um bombardeio de eclusas. Tinha eclusa a menos de 500 metros uma da outra. Já prevíamos que remaríamos uma distancia mais curta pelo trabalho que teríamos com as portagens. Mas como costumamos dizer “Todo dia se aprende algo.” e o dia hoje foi para aprender a fazer uma rápida transição, colocar a bagagem de uma maneira mais eficiente na prancha para agilizar o processo.

Dia pacífico, além do barulho da pá na água os passarinhos anunciavam a chegada do sol. E o calor nos fez tirar do fundo dos alforges nossos biquínis. “Operação biquíni”que nós tanto queríamos foi posta em pratica. Dia típico de primavera!

Com tantas esclusas a diversão era também analisar suas diferenças; algumas tem jardins lindos, outras tem cachorros, outras tem uma turma que para a gente e fica querendo saber detalhes da nossa viagem.
Passamos bem a cidade de onde a gente tinha feito previsão de parar. “Ah vamos seguir! Ta cedo, não tem vento, tá fácil.”

O segundo ponto onde poderíamos parar era já contando com um recorde de remada, já estávamos com 24 k e eram 6 da tarde.
_ “Nossa! Já passamos muito aquele hotel que tínhamos visto. O que vamos fazer?”
_ “Ferrada aqui ou ferrada mais para frente é melhor estar ferrada mais para frente.”

Carcassone que era a cidade muito além das expectativas estava virando a nossa unica opção. Sabíamos que tinha um barco-hotel novamente, mas não sabíamos em que ponto do Midi ele estaria.
Com 30 quilômetros de remo, antes de chegar na cidade, após duas eclusas seguidas, no meio da portagem avisto:
_ “Le Mirage!” e  parecia mesmo uma! No meio do Canal as oito da noite, com apenas um quarto disponivel o segundo hotel-barco da nossa viagem nos esperava! Pizza no deck, banho quente e cama!

Bonne nuit!