Com o passar dos dias, o Midi foi ficando mais visitado. Nós sempre vemos muitas bikes fazendo a rota que acompanha a margem do canal. 
Hoje numa das primeiras eclusas que estávamos querendo passar encontramos com um belga. Ele parou e fez o tradicional interrogatório depois seguiu viagem. Não demorou muito nos encontramos em outra eclusa na hora da parada do almoço. Para quem está acompanhando a viagem não vou nem contar o que comemos porque essa história já está ficando repetitiva. Na outra direção uma alemã seguia viagem também de bike.
_ “Por quanto tempo?” perguntei.
_ “Indeterminado.” respondeu livre com sorriso no rosto.
Dia que passamos pelo meio de várias cidadezinhas. Todas encantadoras! 
O plano de hoje é mudar de canal, já que amanhã aqui no Midi, Éolo acordará bravo. Então toca a remar que será mais um longo dia.

Mais para frente cruzamos com o barco de uma turma de italianos, estamos no mesmo ritmo que eles desde alguns dias; nós passamos, eles nos passam. Hoje quem ultrapassou foi a gente, mas com direito a uma parada para um copo de Coca Cola gelada que nossos amigos ofereceram.

Os últimos três dias o calor pegou, e a tarde começa a piorar consideravelmente. Hora de parar em outro vilarejo para mais um sorvete.

Após 22 km de remo achamos a “virada” o canal de la Robine, também tombado como patrimônio da humanidade, o Canal de la Robine é um “braço” do Midi desce em direção Narbonne e encontra com o mar em Port la Nouvelle. Achamos um bom plano de ataque; mudar de ambiente e aproveitar para fugir um pouco do vento que está chegando.

Mas o pior estava por vir. Já tinha passado das 18 hs, o acumulado do dia e da semana estava pesando, sol mais a falta de almoçar direito: estávamos totalmente sem energia. Para entrar no Canal de la Robine e chegar na pousada que havíamos planejado tivemos que passar SEIS eclusas com distancia de 600 metros entre elas. Foi a porrada final do homem da marreta (É, gente! ele também pega quem rema.)

Finalmente chegamos em Sallèles D’aude, mais um vilarejo! Descobrimos que além de domingo ser sagrado, segunda feira ser sagrada, terça feira também é. Ninguém trabalha! Ou seja, sem comida e sem restaurante, nos restou sentar com o por do sol à beira do Robine comer batatinhas fritas e chocolate, o camembert já tinha acabado!
Até amanhã!