A noite de véspera de prova ventou e choveu muito. O mar amanheceu revolto como eu não imaginava que poderia ficar e a natação do sprint que largava cedinho foi cancelada devido às severas condições. Será que a natação do campeonato também seria cancelada? Eu queria é mais que não, mesmo sendo disparada a minha pior modalidade, eu não estava querendo trocar a água por uma corrida na areia levando em consideração as condições do meu joelho.

xterra asia pacific

De todos os xterras que fiz nunca tinha pegado um mar tão bravo. A organização teve que mudar o percurso para tentar tornar as condições um pouco mais seguras. Quando a elite entrou na água deu para ver a força da corrente e o tamanho da encrenca.

13015550_10154851778601110_4351985139558166619_nEu estava exatamente onde queria estar, na largada do campeonato asia-pacifico então aproveitei para curtir o momento, olhar o tamanho das ondas vermelhas (sim porque não era só um mar em fúria, era um mar bravo cheio de algas vermelhas) e tratar de pedir permissão para entrar. Concentração e introspecção. Foi dada a largada.

Difícil descrever o que é entrar numa sopa de algas vermelhas, difícil até se mexer enquanto tentava furar a forte série de ondas que entrava. A primeira parte da natação foi a pior porque era contra as ondas, e a ondulação era tanta que avistar a boia era um golpe de sorte. A segunda parte, paralela a praia, foi um pouco melhor porque já não tomava tanta pancada. Assim segui numa luta de sobrevivência e para variar fui uma das ultimas atletas a sair da água.

bike xterraSaindo da praia coloquei meu tênis e corri os tais 670 metros até chegar à transição, ai foi tirar o neoprene e pegar logo a magrela. A bike que tanto me assustava por ser plana me surpreendeu de uma maneira mais que positiva. Um percurso sinuoso, cheio de viradas e singletracks rápidos, extremamente divertidos. Eu e a minha Rocky Mountain envenenada hihi começamos a pedir passagem para a mulherada e recuperar posições.

bike

Havia um pouco de estrada de terra, ou melhor de barro, com aquelas famosas poças gigantes e fundas mencionadas no briefing. Numa dessas o pneu traseiro escorregou e eu tomei o primeiro capote. Cai em cima do meu joelho (ainda bem que do bom) tratei de montar na bike de novo para não perder mais tempo. Ai que dor!

Impus um ritmo forte e estava conseguindo manter sem perder a diversão, os tracks eram realmente prazerosos. Eram exigentes em curvas e retomadas, embora não tivessem um piso técnico, claro que alguns trechos de barro exigiam boa pilotagem, mas de uma maneira geral era um percurso que fluia.

No segundo tombo fui engolida por uma poça que me deixou com agua pela cintura, não foi por falta de aviso! Eu ria sozinha enquanto tentava cuidadosamente não perder a sapatilha naquele ofurô de lama.

Em menos de duas horas os 30 quilômetros de bike eram história. Agora era a hora da verdade; encarar a corrida, coisa que eu não fazia há 5 meses. Foram meses de fisioterapia, deep running, choques, e yoga. Eu não corri e o teste seria na ali.

xterra trail runO percurso da corrida misturava praia com trilhas em bosque, um pouco de asfalto e terminava dez quilômetros depois num campo de golfe cheio de cangurus perto do pórtico. Meu joelho se comportou como nos meus sonhos que terminavam com uma vaga para o Havaí como premio do segundo lugar na categoria.

Não quero mais acordar!

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chegadaObrigada Mó, meu fisio que cuidou de mim via whatssap (pior é que é verdade) Dedicação correspondida com comprometimento resultou em sucesso e satisfação! Bora continuar trabalhando!

Obrigada a toda energia em forma de comentários no blog de amigos que correram comigo a prova. É sempre especial o ritual de escrever vossos nomes e competir com vocês me torna mais forte e feliz!

Good pink vibes!