por Dri Boccia

“Um final de semana antes da Brasil Ride Warm Up, fui para Ilha do Mel em Curitiba participar da Amazing Runs, uma competição de corrida de montanha.
A Amazing Runs é muito legal por ter opões para todos os gostos. No sábado há corrida de 9 km e 14 km, no Domingo de 5 km e 21km ainda podendo combinar as distancias no Desafio da Butuca 14 km no Sábado + 21 km no Domingo.

Eu escolhi o Desafio da Butuca, justamente pelo “desafio” que é o que mais gosto.
Como minha irmã Luli está do outro lado do mundo, resolvi convidar minha amiga Lizandra, que nunca correu montanha e mostrar o que é correr na Natureza, sujar os pés e não se preocupar com o tal do pace. (rs)

Dia seguinte, nove da manhã preparada pouco antes da largada, encontrei o organizador da prova Arthur, fui cumprimenta-lo e de repente sinto uma contratura em minha panturrilha quando fui para a largada. Lá fiquei.

O desfio mudou naquele momento, mesmo sem correr eu precisava manter minha energia positiva porque afinal estava em um lugar abençoado.
No final, fiz amigos sensacionais, acompanhei os fotógrafos nos bastidores. A Lizandra correu super bem, amou fazer este tipo de corrida.
Agora era recuperar a panturrilha e torcer para ficar boa o suficiente para a competição de bike.

Brasil Ride Warm Up
Festival de competições sensacional com 5.000 atletas, unindo o ciclismo, mountain bike e corrida de montanha na cidade de Botucatu. q
Eu fiz parte do Mountain Bike 03 dias.

Primeira Etapa: 11,6 km altimetria 455 m

13321679_10205805847497774_1899900561211915285_nPercurso bem técnico, o mesmo da Brasil Ride 24horas. É chamado de prólogo, define a colocação dos atletas para o próximo dia.
Pronta para a largada com aquele frio na barriga de sempre e mais um nervoso especial devido à lesão do final de semana anterior. Como de rotina em largadas eu sou total forno à lenha, demoro para esquentar. Preciso respeitar muito meu corpo, senão, tudo vai por água abaixo.
Lá vai! A Lilian Pedroso já saiu como um furacão e eu tentei, só tentei acompanhar, porque precisava tomar todo cuidado do mundo com a panturrilha.

Essa volta é muito divertida, toda habilidade faz a diferença. Eu tenho um pouco, mas precisava ter também estratégias para conseguir me manter na prova nos dias seguintes.
No meio do percurso tive que parar duas vezes de tanto incomodo na lesão, perdi alguns segundos, mas nesse momento o tempo não me preocupava. Final do prólogo. Feliz por minha panturrilha estar em condições para enfrentar o que ainda estava por vir.

Segundo Etapa: 80,3 km altimetria 1.668 m

É dada a largada. Fico sabendo que o corte da prova é às 15 horas. Que ótimo! Eu não tinha adversário até aquele momento e depois da notícia o tempo virou o meu maior adversário.
Vão bora e administrar tudo, não tem o que fazer.

Larguei no fundão, aliás, Luli e eu sempre largamos no fundão. Como é divertido! As pessoas estão em outra vibe, pedalam, mas curtem a prova. Claro que logo fiz amigos engraçados (Junior, Rafa e Kiko) e lá fomos juntos para a empreitada.

Minha primeira uma hora foi aquela beleza; só no giro suave. Ainda bem que o começo fluía, não travava e aos poucos o ritmo se encaixava até que chegou a primeira diversão; o singletrack.
Os singles estavam do jeito que gosto, técnicos e ao mesmo tempo com trilhas infinitas. Que delícia! Que felicidade!

Depois vinham subidas íngremes e parecia que a bike não ia para frente. Fui administrando o tempo e panturrilha porque em alguns momentos tive que empurrar a bike, mesmo fazendo de tudo para tentar ficar em cima dela, estava complicado.

Tive que deixar os amigos que fiz no caminho por medo de entrar no corte, eles ficaram no ponto de água e eu fui embora.
Até mais da metade do percurso estava tudo ótimo; me alimentando bem, me hidratando, até que chega um estradão interminável. Pra que isso? Não podia ser um singletrack infinito?
Lá fui eu me arrastando num falso plano com subida e terminei essa etapa 15 minutos antes do corte.

Terceira Etapa: 107km altimetria 2.893m

Ver detalhes do percurso da prova para meu psicológico não funciona muito bem. No entanto, antes da largada foi avisado que havia um corte às 12:30 h no km 55 outro às 15:00hs no km 80 e o limite da chegada às 17:00 hs.

Comecei a dar risada sozinha por dentro. Olhei para minha panturrilha, para minha bike e todos ao meu redor. Minha irmã não estava lá para traçarmos uma estratégia, tive me virar.
A largada seria igual ao dia anterior, mesmo trajeto pelo asfalto, mas antes da entrada; uma descida deliciosa. Ufaaaaa….

Durante o percurso fui fazendo amigos e administrando o tempo. Quando encontrava os pontos de água as paradas duravam menos de um minuto. Isso é muito importante para não deixar o ritmo cair.

13315254_10205817210741848_5056353498113727147_n salvaOs singles estavam fantásticos. Sorrisão no rosto… huhuuuuuuuu e lá vinham as subidas “Meu Jisuis!” foi assim até chegar no km 55 e no 80 com folga do corte. Maravilha!
Acelerei no ponto de água por causa do limite de chegada do final. Ali atletas da Pró e da categoria Sport se misturavam. O Staff pediu para eu seguir em frente provavelmente confundiu se e me mandou para o percurso da categoria Sport. Eu não havia percebido até que as pessoas passavam por mim diziam: “Que bike linda!” “Diferente seu capacete, sua roupa é linda.” Me perguntei: “Tem alguma coisa errada? Eu estou no terceiro dia de prova, não pode ser que só agora viram que estou desse jeito.”.

Quando vi a cor da plaquinha da próxima bike entendi o espanto dos bikers, eu estava no percurso categoria Sport. “Ah… não! Caramba, preciso voltar tudo que desci.” Perdi uns bons minutos que poderiam custar muito caro. Não tinha a mínima ideia do que viria pela frente.

Logo que voltei eu falei um pouco brava com o staff e ele estava mais bravo ainda, pode?
Acelerei para tentar me juntar ao pessoal que estava comigo ou pelo menos perceber se eu podia me recuperar para chegar a tempo. Passando uns minutos encontrei a querida Fran, que estava em seu primeiro desafio longo, já havia emagrecido 10 kgs e correndo atrás de perder outros tantos. Continuamos juntas, ela indo muito bem nas subidas e eu me soltando nas descidas.

Marcelo bikerEm um dos singles irados desse trecho eu tive a honra de descer atrás do Marcelo que só tem um braço. Quase tomei uns três tombos de tão emocionada, impressionada, nem sei dizer a mistura de emoções que eu sentia. Que superação desse cara! Que linda descida, com muitas pedras técnicas, desceu inteirinha. Marcelo, obrigada por aparecer em minha vida, virei sua fã e espero te reencontrar muitas vezes. Parabéns!

Seguindo ao destino lá vinham descidas deliciosas e subidas inacreditáveis de íngremes, às vezes tinha que descer da bicicleta e não sei o que era pior por causa da panturrilha.

Pela décima vez encontrei com Fred e André, uma dupla muito simpática, fizemos umas descidas incríveis juntos, pedalavam muito, mas tiveram dois pneus furados e depois foram embora como foguetes. Adorei conhecer vocês.

Preocupada com o tempo porque sabia que o final da prova era a metade do circuito BR 24 horas, com uma subida sem fim. Encontramos a Clarita, uma simpatia, de Botucatu, sabia onde estava cada pedra na estrada…, sabe, que até me ajudou dando dicas e mostrando o lugar maravilhoso que estávamos. Pediu para eu olhar para cima. Nem havia me ligado, estavamos na Cuesta de Botucatu, onde o pessoal salta de Parapente. Uauuuuu!!! Que lugar, simplesmente maravilhoso!

Depois desse espetáculo, seguimos e já entramos no single e fui embora, sabendo que depois seria engolida na subida. Encontrei com o simpático Bonaparte e Colombo e fomos juntos.
Em um dado momento, meu pedivela grudou no barranco e minhas antenas se enroscaram na árvore. Colombo olha pra mim: “Dri está faltando uma antena!” “Ah não! Meus superpoderes, e agora? Deixa Colombo, vamos não temos tempo!”.

Clarita, Bonaparte, Fran, Colombo e eu, todos nós chegamos antes do corte. Eu cheia de emoção por ter passado por tanta coisa legal. Queria registrar tudo isso, mas sou desastrada pra caramba e deixei acabar a bateria da Go Pro, ficou tudo guardado aqui comigo.

Márcio Craveiro eu te amo. Fábio, parabéns, vocês mandaram muito bem!

Ah… acharam a minha antena pendurada na árvore do single, foi um daqueles caras de Pink, eu esqueci o nome da Equipe, obrigada!
Brasil Ride Warm Up, obrigada por realizar esses eventos todos os anos e tornar as nossas vidas cheias de histórias e muito mais amigos.

Obrigada Thiago Arias Personal Studio & Pilates, o trabalho de fortalecimento feito me fez melhorar muito nas descidas, e o melhor; sem dor alguma na lombar!

Mario Roma, Andrea Roma, Rafa Campos, fotógrafos e toda organização, parabéns! Foi demais!!!