SETE MIL BICICLETAS. Assim descrevo o triathlon de Noosa: sete mil bicicletas na área de transição.

bike transition noosaEu já tinha ouvido falar do show que era o maior evento de triathlon olímpico do mundo quando cheguei à Austrália, mas outubro parecia um mês distante para fazer planos. Por conta do destino, Jodie me convidou para sua equipe na perna de bike, já que Phillip, seu marido tinha quebrado a clavícula uns meses antes.

Meu ultimo final de semana na Austrália!

Noosa por si só já é uma cidadezinha na costa cheia de charme, loijinhas descoladas, praias paradisíacas de areia branca, mar cristalino, sorveterias simpáticas e restaurantes saudáveis. Pássaros estão em todo lugar na Austrália, moradores típicos da região perus passeiam tranquilamente pelas ruas. Adiciona se a tudo isso dez mil atletas e acompanhantes. Australianos de todas as partes e atletas internacionais. A vibe é essa! Um show. Muito bem feito e organizado; tudo funciona; estacionamento de bicicletas, retiradas de kits, controles, transito, horários.

img_4974Nossa é um Triathlon de distancia olímpica (1.5 k de natação / 40 k de bicicleta / 10 k de corrida) em 2015 ultrapassou em numero de atletas o traithlon de Londres se tornando o maior evento da modalidade no mundo.

img_4981Hannah a filha de Jodie faria a competição individual, em equipe Lucy que na natação, Jodie na corrida e eu na bike. Acompanhei a Hannah em sua largada que era mais cedo. As saídas são dividas por faixas etárias e categorias e são dadas em ondas. Toucas coloridas diferenciam os grupos. Desde cedo o trajeto da agua está cheio de atletas nadando. Agitação além mar; a praia está cheia de atletas, endorfina, musica. A areia ofusca os olhos e o sol abrilhanta o espetáculo. Hannah largou.

Lucy sob a torcida de sua própria equipe largou longos minutos depois. Eu rapidamente fui para a área de transição, ansiosa em representar bem a equipe. Funciono muito bem sob pressão. Não tinha ideia de como seria o meu desempenho na magrela, mas apesar da incerteza estava confiante porque tinha treinado um mês em cima da batizada Jojo.

_“1’20h até 1’30h.” Phillip com sua experiência dos anos anteriores começou a fazer e criar expectativas. Atletas de asfalto são assim; tempo importa e a pressa parece ser amiga da perfeição. Visto a personagem: “Bora lá bater o relógio.”

Quarenta quilômetros. Três de subida. Subida? “Sim a subida é terrível!” impressões dos outros me fizeram por acreditar que a subida seria dura. Mas a regra é clara sofrer nos treinos para não sofrer na prova. Tiro o chip da perna da Lucy e ponho no minha, já sinto as batidas do meu coração que nem espera o esforço para acelerar.

img_4968Acelerando. Assim saí e me mantenho acompanhando no Suunto a velocidade imposta. Incorporo o novo mundo, competir em uma bicicleta de estrada é bem diferente; enquanto no mountain bike é preciso estar atento o tempo todo às trilhas e manobras, a pilotagem na bike de estrada é cruzeiro. Olho o mar, as árvores e o lindo percurso que se afasta da movimentação da pequena cidade e fica cada vez mais silencioso.

“Falta muito para a subida?” pergunta feita por algum atleta obviamente de estrada.

“Já já estamos nela!” Respondo.

Passo o arco de prova: “Hum logo começa a subida.”  Três quilômetros passam cruzo o tapete e continuo esperando a subida. “Hein?”

De sorriso no rosto avisto o pórtico que anuncia metade do percurso; hora de voltar para casa. No retorno o vento começa a se manifestar, ai vem as analogias à vida: “Confrontar pra que?” Aceito a nova condição do pedal curtindo o visual agora bucólico e enfeitiçada por um pico de monte que avistara de longe na véspera. Parecia tão distante está tão perto!

Faço esforço sinto as pernas acompanharem o coração. Com 1’16h desço da bike e corro muito até finalmente passar o chip para Jodie que saiu decidida a entregar com louvor todo o nosso trabalho em equipe. Sob o pórtico azul termina mais uma prova, e com final de mesma cor meus nove meses de vida na Austrália.

Obrigada Jodie, Hannah, Phillip por proporcionarem uma experiência memorável, por me incluírem na família, por fazerem da Austrália minha casa.

Obrigada Rui, meu namorado e treinador (hihi) pelo apoio, incentivo, conselhos, paciência e treinos.