Day one Cala Llenya – Talamanca 18 k

Eu estava mais aflita em chegar na praia antes do horário de largada do que a organização. Na noite anterior estudei muito bem as condições do tempo vento, azimutes a serem traçados e  sabia que qualquer minuto mais tarde implicaria em mais vento.

A princípio o vento estaria a nosso favor, não exatamente no primeiro trecho mas la pela metade da prova pegaríamos um downwind. Doce inocência.

O vento estava de lado-trás e o mar batido com ondas picadas para todos os lados alem dos enormes vergalhões (escrevo isso mareada ainda sentido o sobe e desce das ondas) que não deram sossego aos atletas. Eu me sentia em pé em cima de um touro mecânico!

A prancha que estou usando é a mesma que usei no SUP11 cities uma 14 de caborno com o bico alto, própria para mar, não demorou nós ja estávamos muito intimas afinal ja tínhamos 225k acumulados de historia. Foi um reencontro de amor! Confesso que muitas vezes ela me atirou ao mar, mas eu entendia que a luta dela era a mesma que a minha.

Tininha (nome que nas minhas longas conversas resolvi dar a minha companheira prancha) e eu seguimos nos divertindo na incansável busca pelo equilíbrio.

O tempo todo da competição sabia que azimute tinha que seguir e isso facilitou, apesar da dificuldade manter a linha reta, só o fato de ter essa noção me ajudou um bocado, e saber o tempo todo onde estava transformou a quilometragem em praias, cidades, pontas ou baias, e assim fiquei prazerosamente distraída.

Quando um enorme yatch que vinha a meio por hora buzina! Estava perto dele e conseguia ver que ele me enxergava (as coletes de prova são fluorescentes ao longe se vê) e a velocidade do barco não intimidava.

“Dou you speak English? Blablablalablablablabla!”

Não entendi meia dúzia de palavras que a pessoa do barco tentava me dizer, mas pelo barulho da buzina; boa coisa não deveria ser. Agora convenhamos “Olha o tamanho desse mar!”

Tineke, a dona que deu inspiração ao nome da prancha, enjoada passava mal não muito longe dali, enquanto o homem que remava na minha frente seguia de joelho pagando todos os pecados da vida e talvez mais alguns.

Os barcos da organização seguiam loucos para frente e para trás tentando tomar conta do rebanho que cada minuto que passava se espalhava ainda mais. Não estava fácil para ninguém.

O sol brilhava tornando a água cristalinamente mais azul, o relevo mais verde e casinhas brancas acompanhavam. As três horas de luta passaram como um dia perfeito de ferias. 17,87k em 2h58, numa media de 6k/h bem acima dos meus tempos de treino, fui a segunda mulher a cruzar a chegada. Feliz da vida! Obrigada a todos que mandam energias e acompanham a aventura tao de perto. Obrigada, amor! A aventura esta só começando!