paddle IbizaO quarto dia começou tenso; no caminho do café da manhã o Ritske um dos organizadores me disse: “Hoje ninguém vai ficar no mar até as duas horas da tarde. Haverá corte e pelo pace de ontem as pessoas com maior probabilidade de serem tiradas para fora da água é você e o James.” 

Inicialmente a ideia da Vuelta Ibiza era que a largada fosse por volta das oito da manhã porque o vento ainda não começou a bater forte, mas o horário do café da manhã disponível pelo hotel impossibilitou os planos.

Felizmente na movimentação nervosa e estresse gerado surgiu a brilhante solução de que eu (a categoria tour) poderia entrar no mar assim que chegasse a praia.

Peguei então carona com a van das pranchas e rapidamente estávamos do outro lado da ilha.

Entrei no mar as 8.30 da manhã, o mar estava um espelho! O corpo tinha que esquecer o cansaço acumulado de três dias de remo; era hora de remar como se não houvesse amanhã.


Logo avisto meu amigo inglês curtindo um tour antes da largada oficial: “James! James! Volta para praia pega o seu gps e vamos embora. Não podemos pegar corte!”

Segui na remada ritmada. 

Sem vento é possível enxergar o fundo do mar, nesse momento remava sobre várias anêmonas vermelhas que dançam calmamente em água cristalina de fundo azul profundo. Uma imagem bem surrealista! Mas bem, vamos parar de alucinar e afundar esse remo na água que hoje o dia vai ser longo.

O ritmo estava bom, o vento ainda dormia e assim foi possível meter alguns quilômetros. Depois de estar um bom tempo sozinha começaram a passar os primeiros James (o campeão) e Ricardo pas
saram numa pegada alucinante, um no vácuo do outro forçando sem sequer olhar para o lado. Isso me deu mais animo para tentar acompanhar mesmo que de longe (muito longe obviamente).

Passei os 17 k com boa folga de tempo do horário de corte e quando eu ia começar a relaxar para encarar os 9 k que ainda faltavam o vento entrou raivoso.

Completamente na direção contrária, eu comecei a entrar em baias porque mesmo que a distância aumentasse conseguiria economizar um pouco de energia.

Os últimos 3 quilômetros era mais uma vez sentar na prancha. Não que o sofrimento diminuía, mas sentada eu conseguia aumentar a remada em 1k/h.

“Luli levanta! Isso não é competição de caiaque.” Tineke passou por mim sem muita piedade.

“Estou feliz, vou seguir assim.” E continuando a competir contra meus próprios limites segui na luta contra Éolo, que soprava incansavelmente.

Com 5h16min o dia mais longo e mentalmente exigente termina em mais uma das praias paradisíacas da ilha espanhola. Fechei os 26 k dando tudo que tinha! Não quero nem pensar em amanhã!

Obrigada a organização por facilitar a entrada mais cedo na agua! Feliz da vida!