Ha algum tempo o Luis estava querendo juntar o staff da Nexplore para subirmos a Nossa Senhora da Graça no dia da volta a Portugal, mas diferentemente dos anos anteriores nesse, a famosa etapa da Volta a Portugal passaria pelo Monte Farinha numa terça feira, o que fez com que a aventura virasse petit comité.“Vamos pelo monte?” Luis que cumpre o seu terceiro ano de tradição segue na frente liderando o caminho escolhido; uma estrada linda de areia branca que nos leva ate metade do nosso percurso. Saindo de Amarante com parada em Mondim de Basto, a cidade base da montanha, para uma nata.

“Faz parte da tradição” Aqui ja sente se o ambiente; telas grandes transmitem o evento e pessoas passam por todos os lados.

Depois da nata e de uma Coca (“Luli aprende a falar! Aqui em Portugal é Cola!”) seguimos para a brincadeira.Eu subi o Monte Farinha uma vez apenas após a Douro Bike Race no ano passado, e desde então, aquela mítica montanha que ja tinha meu coração me ganhou de vez. O Monte Farinha tem sua famosa subida de 8 quilômetros com algum bom desnível acumulado e é o final de uma das etapas da Volta a Portugal, para os menos entendidos o “tour de France” local. Diz a lenda que nos dias que antecedem a competição e no dia fatídico fica em festa.

Nos primeiros quilômetros da subida ha algum pessoal ja acampado esperando os atores principais, que estão previstos para chegar no final do dia, enquanto muitos coadjuvantes, ciclistas de todos os lados também divertem-se simulando a subida final da competição. Ainda é cedo, final da manha, o céu azul e o calor ainda não é tanto porque o dia esta ventoso. Luis toma a frente e desaparece porque sabe que agora ja não tenho como me perder.

Eu sigo descobrindo o mundo! Recebendo gritos de incentivo da torcida acampada nas laterais da subida cuidadosamente decorada com garrafas de cerveja consumidas. Musica, churrasco, bandeira de Portugal. Pedalo com cuidado para não passar por cima da tinta fresca com nome de atleta recém pintado no asfalto. “Vamos vamos ja falta menos!” os gritos continuam “Oh menina, quer sumo?” “Cerveja?” “Vais subir ate la acima?”

A medida que subo passo por placas que me lembram da quilometragem e mesmo que essas passassem desapercebidas ha portico de um em um quilometro na contagem regressiva ao portico final.

“Luis, vamos descer e subir de novo?” _ no auge da empolgação.

A Igreja imponente aqui de cima hoje perde o protagonismo no meio de bandeiras, portico e teloes. Aproveito para agradecer na mesma.

“Almoçamos la abaixo e logo vemos.”

Parece me que nenhum almoço vai tirar a ideia fixa de a montanha de novo. Depois dos 8 quilômetros descendo paramos num simpatico restaurante e comemos um típico bacalhau. Não tínhamos dinheiro então desce mais um pouco ate Mondim. Assim começa a segunda subida.

Pagamos o restaurante:

“Vou esperar aqui na passagem dos 8 quilômetros.” Luis para em uma sombra, eu sigo sozinha.

Estar aqui nesse lugar especial abrilhantado por energia das pessoas me faz querer subir pela segunda vez;pelas pessoas que gostaria que estivessem aqui, pelas que estão aqui, pela torcida, pela celebração, pelo dia, pela vida, pelo……

“Frinxas?”

Na certeza de que nada acontece por acaso subo pela segunda vez acompanhada por um amigo de longa data, contando casos, matando saudades, ao som da torcida surpresa: “Oh menina! Não é a segunda vez que passa por aqui?”

O dia abençoado não terminou, na volta pela ecopista com o Luis ainda encontramos o Rui e seguimos a Amarante curtindo o final de tarde dourado de mais um dia magico.

Obrigada Luis pelo convite e iniciativa. Que venham mais aventuras!