fotos organização, arquivo pessoal e Jfaria

Fiz poucas e boas corridas de obstáculos na vida; tudo começou com a Tough guy (a origem da febre) em 2011, depois me arrisquei numa no Rio de Janeiro em 2013, no ano passado na Australia fiz Raw Challenge, a terceira da conta. Corrida de obstáculos para mim é sem duvida uma das competições mais divertidas que existem.

Iron Brain, Portugal. A verdade é que de poucos anos para ca o globo contagiou se com a lama e maluquice; nada que quebre mais a rotina que rastejar na lama, pular paredes, escalar cordas. A inscrição estava feita, e amigo intimado Andre estava pronto para encarar a primeira da vida. Rui ia mas dessa vez so na torcida.

Na lista de elite inscritas eram doze mulheres, num total de cinquenta atletas que alinhavam no primeiro pelotão de largada. Ha tempos que eu não sentia tanta adrenalina sob um portico. Partiu!

A prova comecava subindo a escadaria da cidade que tirava o fôlego de qualquer um, na metade da subida parei de correr e comecei a subir de dois em dois degraus. Quase no topo, o Rui me esperava com incentivos; “Bora que o ritmo ta bom. Siga!”

Não demorou muito a estrada virou trilha e apareceram os primeiros obstáculos; paredes de madeira para saltar, pneus e logo  em seguida era hora de carregar um bloco pesado de concreto. Argh.

“Um bloco, uma volta.” gritava o fiscal da prova, enquanto eu tentava visualizar quantas meninas tinham na minha frente fazia um esforço descomunal para me entender com a subida e o bloco.

“Eu peso 52 quilos, esse bloco é  mais pesado que eu!”

“Então para próxima engorda um pouquinho.”

Na reta de corrida que se fazia depois do obstáculo uma menina me passou, segui correndo ha uma distancia visual e na escalada de uma teia de pneus passei por ela e mais alguns enroscados no obstáculo. Não durou muito, na corrida fui novamente ultrapassada.

Quando eu menos esperava la estava o Rui no percurso correndo junto, filmando e incentivando:

“Ritmo! Tu estas em terceiro!”

“Terceiro?” Escorrega, rasteja, salta num campo cheio de obstáculos enfileirados uma plateia animada torcia pelos atletas, quando me deparo com o que foi o mais difícil para mim; uma trave alta com corda. Uma corda sem nó! Na primeira tentativa de trepar na corda quase cheguei na trave mas escorreguei, meu antebraço latejava do esforço acumulado.

“Respira, recupera e ataca.”

Escolhi a corda na lateral da trave para que pudesse ter ajuda dos pés na escalada e quando quase chegava a trave consegui prender uma das pernas e abraçar a madeira, agora com um esforço final era passar por cima. Feito!

Um dos mais divertidos foram as argolas; decifrando o obstáculo e vendo resultar os instintos da estratégia. No centro da cidade outros tantos obstáculos finais aguardavam o ataque. E com o apoio e incentivos que tive durante todo o percurso do Rui cruzei a meta e resolvi ainda pagar as antigas 10 flexões de braço SELVA! Que saudades das corridas de aventura!

Em terceiro lugar entre as mulheres garantindo a vaga para o campeonato europeu 2018 de corrida de obstáculos. Socorro!

Obrigada Iron Brain Laúndos pela organização do evento impecável; obstáculos criativos e bem projetados, percurso da corrida quase todo em trilhas e apaixonante. E o staff? Que boa energia!!!

Parabéns Andre pela sua primeira OCR! Bora la virar ninjas profissionais! Rui, que correu mais quilometragem que eu, haha, fez toda a diferença ter sua torcida!