De longe, já se viam os balões dourados no céu, mesclados com a iluminação de mesma cor da cidade do Porto. É véspera de São João, a festa mais esperada do ano.

Saímos, de mãos dadas, a pé de casa numa noite cristalina onde os grilos cantavam. Alguns latidos de cachorro e estouros de fogos quebravam o silêncio a distância, prenunciando nosso destino.

Já passava das dez quando entramos no metro com destino ao  centro da cidade. Vagão cheio, excitação e conversas entusiasmadas sobre os mais diversos assuntos regadas aos apitos dos famosos martelos. Volta e meia nos entre olhávamos, não era preciso uma palavra. Sorriso.

“Quem encara um São João em tamancos?” Pensava enquanto me distraia olhando os pés das espanholas que estavam ao nosso lado.

A gente estava preparado: tênis e mochila. Talvez nem tão preparado assim; faltavam os martelos, faltava o vinho. Logo certeiramente adquiridos como os futuros golpes de ataque.

Caminhando até a Ribeira já nos hidratávamos irresponsavelmente enquanto volta e meia parávamos para aplaudir mais um balão bem sucedido que se juntava à tantos outros pontos dourados no céu.

Olhando para cima tinha tempo de sobra para agradecer o presente. 

Marteladas, ruas com música ao vivo, cheiro forte de sardinha na brasa, gritos de euforia, tumulto na rua. O caos que nos rodeava era o oposto da minha calma de alma.

O vinho já começava a fazer efeito e não só dar, mas tomar marteladas cada vez nos trazia mais riso.

Depois de uma longa imperceptível caminhada achamos, o que nos parecia ser, um bom lugar para assistir os fogos de artifício.

A ponte Luis I majestosamente iluminada sobre nossas cabeças. Poderíamos ser as sardinhas, não as frescas, espremidos no meio da multidão que nesse momento ovacionava “Cristiano Ronaldo!”

As manifestações de festa se misturam e os apitos dos martelos servem de acompanhamento de coro de torcida de copa do mundo. Os campeões da Europa querem mais.

“Cristiano Ronaaaaldo!”

Meia noite as luzes da ponte apagaram. Chegara a hora que esperava há um ano. E quando o fabuloso espetáculo começa não vemos nada.

“Tá muito bonito! Tá mesmo muito bonito.”_ Ironicamente alguém muito bem humorado, ou hidratado, comenta: “Tá muito bonito!”

Ouviam se os estouros e os reflexos de luz iluminavam a ponte. Algumas poucas vezes os fogos saíram da Luis I, e uma chuva dourada escorria de seu patamar mais alto. 

“Ehhhhhh!”_Grito de contentamento dos que como nós pouco viam. Mas para quem havia passado o ano anterior dentro do carro tentando chegar à festa já muito se via. 

“Feliz São João!”

Um beijo apaixonado entre risadas, apitos e estouros.

Após o invisível espetáculo voltamos caminhando em zig zag, sem pressa de chegar, tomando e dando bençãos de felicidade em forma de martelada. Ano que vem tem mais!

“Feliz São João!”