foto Elisabete Ribeiro

Ja estive na Douro Bike Race em diferentes anos e de diferentes formas. Nessa edição de 2018 fui comemorar e acompanhar Rui Babo que competiu com seu primo João Babo. Representando a Flower People X com experiências de stand up paddle de prémio para os últimos vencedores. Entre torcida, experiências de paddle noturnas e diurnas ainda era preciso arranjar tempo para treinar.

CAPITULO DE HOJE: A SERRA DA ABOBOREIRA

Domingo de sol, um dia perfeito para o treino. Sair da barraca depois de três dias intensos não foi tão fácil assim, mas de pensar nos trilhos logo estava equipada para o meu encontro do dia. Aboboreira.

Incontáveis as memórias épicas que tenho da serra, que costuma ser o fechamento da DBR. Nesse ano a competição inovou e a ultima etapa era um contra relógio individual, ou seja, os atletas largavam de minuto em um minuto em ordem contraria a classificação. Os últimos eram os primeiros, assim como os atletas premiados pela Flower People X.

O percurso também não é mais marcado por fitas, agora a navegação é por gps. Bom para a organização, bom para os atletas, e maravilhoso para a natureza! Mediante ao fato, a minha estratégia de uma pessoa não minimamente preparada era, largar comendo o sanduíche de queijo com pão da véspera, e seguir o primeiro atleta. E continuar seguindo sucessivamente os atletas ate voltar para a chegada.

Largou. O primeiro atleta saiu com um ritmo que eu estava conseguindo acompanhar e antes mesmo dele sumir de vista apareceram outros bikers. O asfalto termina logo para estar na serra, e primeira subida (e única hahaha) começa logo íngreme numa rua de paralelos.

“Vai Luli!”_ João Bastobike, que devia estar aquecendo, voltava no sentido contrario.

Logo que comecei a sentir a energia da serra me veio a cabeça quando fui testar o percurso em 2012. Eu lembrava ver as Eólicas no topo da serra que nos acompanhavam por toda a subida, tornando o fato de subir, algo incomodamente concreto. Diferentemente de hoje. Estava absorvida pelas trilhas, paisagens e energia da montanha. Envolvida pelo entorno e esforço. Seguindo atletas e me perdendo com amigos. Encontrei o Helder, pedalei com o Manel.

Seguia sons dos pneus na areia, seguia o silencio, seguia o cheiro de uva madura, muitas vezes parei para come las. Seguia marcas de pneu, seguia o vento, seguia meu instinto. “Na duvida é sempre a subir.” Seguia o lema Nexplore.

” Vai Amor!” Antes do abastecimento o Rui me passa ventando, seguido do primo: “O que voce fez com ele ontem?”

Quase no topo, ou pelo menos eu achava que estava, os atletas de ponta começavam a passar, e tentando pegar a roda, eu acelerava (não mais que dez segundos) tentando um ataque. “Vou na roda do Nelson!” a minha velocidade não alterava grande coisa, meu coração subia rapidamente. Segui na brincadeira me divertindo!

Abastecimento. Pedro e Marco trabalhavam incansavelmente para cuidar dos atletas que não paravam de chegar. Ali encontrei os Templários, turma da hidratação pos prova. Sim, atletas que alem de pedalar sabem se cuidar, e também se preocupam com os outros. Talvez eles que tenham dado superpoderes ao Rui na véspera. Não é meninos?

Ja com vinte e tal quilómetros de subida saindo do abastecimento achava que não era mais possível subir. Por uma amnesia de esforço talvez. “Ainda tem muita subida?” um atleta que passou por mim perguntava. Apesar das pernas pesadas eu queria mais é que sim.

O trecho final de conquista das eólicas é o mais bonito de todos. Onde percebemos mesmo a nossa insignificância, onde o silencio cala o ruído do pneu, o instante se faz eterno a energia enche a alma.

Descer foi novamente uma celebração de amizade. Pedalei com Patricia. Pedalei com Paulo, pelas trilhas que desde sempre me arrancam sorrisos. No final, ja sem o track e sem ninguém segui o caminho de volta para casa, aquele que a nossa bike e o nosso coração sabem de olhos fechados. Bem vindos a Amarante!