fotos Rui Lopes e Triatlo Norte

“Ele é ainda pior que tu!”

Esse foi o comentário do Rui quando eu falei que o Mó, meu fisioterapeuta, tinha deixado eu competir no duatlo.

Uma lesão chata que ja me acompanha desde o final do ano passado tem me impedido de correr e as dores, volta e meia, tem atrapalhado meus treinos.

Decisão difícil de ser tomada; a cabeça quer uma coisa e o corpo pede outra. O aval do Mó fez meu coração sorrir:

“Faz a prova, mas vai sem tomar nada; aguenta a dor.”

Com pouco volume de treino e nada de corrida alinhei para a largada da prova. Na freguesia de Zambujal, no centro de uma pequena aldeia perdida pelos meios de Portugal. Num dia de céu azul que poderia ser primavera comecei a correr. Os primeiros passos estava com o pulso nas alturas ja numa luta tentando acordar meu corpo do choque de uma largada sem aquecimento.

A primeira perna seriam duas voltas de corrida num circuito de 2,5 k. O loop começava em paralelepípedos e logo estávamos subindo por uma estrada de terra no monte. A descida era em um singletrack com pedregulhos e algumas partes técnicas.

Na segunda volta eu ja corria sem muitas pessoas ao meu lado e sabendo o que vinha pela frente parecia que ficava mais fácil dosar o esforço. Ou não.

Ah Bike! Foi uma alegria deixar a corrida para trás. Hora de começar a recuperar posições. Diferentemente da briga anterior agora meu corpo estava em harmonia com o esforço, e manter uma boa cadencia estava confortável. Outro loop, agora seriam duas voltas de 10k.

Uma coisa que tem me impressionado aqui em Portugal é a quantidade de percursos divertidos e cheios de singletracks que tenho encontrado nas provas, sejam elas de xco, maratonas ou passeios de btt. Estar ali num cross duatlo e me deparar com aquele percurso me fez feliz.

Tinham alguns trechos técnicos, muitos singles, subidas curtas e algumas ardidas. Exigia certa pilotagem. Momento de agradecer; estar ali no meio do monte, num lindo dia azul acelerando tudo que tinha no tanque! Eh delicia!

Na segunda volta ja sabia o que ia encontrar e seguia firme acelerando para ver se recuperava mais algumas posições. Quando em alguma das subidas passo uma menina.

“Terceira e Quarta! Só para por um bocadinho de veneno.”

“Serio?” Agora a disputa era para terceiro lugar? Eu sabia a única maneira de chegar na frente seria abrir na bike, porque depois ainda tinha a corrida final, e as meninas que eu tinha passado na bicicleta corriam muito mais que eu.

“Quer passar?” e mais uma vez a minha mais nova amiga rival me deu passagem. “Upa!”

Com uns quatro quilómetros para a transição entrei embalada numa subida de singletrack, com a marcha pesada. Oh não! A impossibilidade de pedalar rapidamente deixou a bike incontrolável e em uma desequilibrada a bike virou para o único lugar que não podia.

Ainda tive tempo de pensar. “Oh Não! Vou cair morro abaixo!” E num capote que não tinha o que fazer alem de esperar a bike e eu paramos de rolar, passa ela:

“Precisa de ajuda? Estas bem?”_em tom preocupado.

“To bem siga, vai la buscar a segunda.”

Coloquei a bike nas costas para escalar o morro e voltar para a trilha, com o ritmo de prova quebrado tentando fazer o meu coração baixar para que pudesse novamente retomar a velocidade de ataque.

O Rui que ja tinha acabado a prova dele ja me esperava ali, agora de torcida: “Bora! Vai, vai, vai!”

Tentando não perder mais posições segui para a ultima volta de corrida acabando com o resto de energia que ja não tinha:

“Vai Luli!”_cruzo um grande amigo nosso, no trecho final da prova. (Adorei te ver Girão!)

Com 2:17hs os 30 k de prova tinham ficado para trás. Quarto lugar entre as mulheres e primeira na minha categoria. Obrigada Paula, minha amiga rival, pela preocupação de parar a prova para saber se estava tudo bem comigo depois do tombo. Parabéns pelo terceiro lugar!

Parabéns a toda organização e staff! Obrigada pelo carinho e cuidado que tiveram com os atletas. O percurso do mountain bike ainda me faz sorrir.

Obrigada Mó pelo tratamento a distancia e pela sua preocupação que sempre envolveu muito mais que lesão. De volta a fisioterapia!

Obrigada Rui por mais um dia incrível de aventuras!