“Vó, vai para onde dessa vez?”

“Vou para China.”

“Por quanto tempo?”

“Até o dinheiro acabar.”

Dos diálogos que lembro com a minha avó. 

Pouco sei que idade tinha quando ela foi para China nem tão pouco quanto tempo ficou, na minha inconfiável memória, três meses deram cabo do dinheiro. Mas tenho vívidos na mente os cartões postais que chegavam cada vez de um canto do mundo com breves dizeres que legendavam, aos seus olhos, os lugares por onde passava.

Oito de abril, nem parece que o planejado dia de viagem chegou. Visto seu colar de herança, outro momento pipoca na minha mente; “Essa medalha era do seu bisavô.” e saio, apesar da data certa para voltar, cheia de vontade de legendar os meus próprios cartões postais. Bora para China!