Aproveitando a vista que tinha do meu quarto e o medo dos cafés da manha, comi uma banana e algumas bolachinhas que encontrei para comprar (!).

Ficar no mesmo lugar duas noites significava que hoje é dia de pedalar sem mochila pesada nas costas. O plano era pedalar ate o local do bamboo rafting e ver o que fazer. O preço que cobravam no hotel era cerca de 350 RMB, para mim ,esse preço seria justo se quem pilotasse o rafting fosse eu, agora ir sentada não me parecia tão atractivo assim.

Analisando o google maps eu vi que conseguiria pedalar nas margens do rio Yulong em quase toda a sua extensão, e isso seria perfeito. Sai cedo de Yangshuo sem track no relógio, na base do maps e do plano traçado.

Sair da cidade é sempre um pouco mais tumultuado, não que nos lugares que tenho passado sejam tão cheios assim, mas cidade sempre tem mais movimento.

O que me encanta das grandes avenidas é que nelas tem canteiros, sempre verdes e bem tratados, em toda extensão que separam os carros das motos elétricas e bicicletas, então tenho ficado despreocupada, o pedal continua tranquilo.

As scooters e motos são sempre divertidas de observar; os sistemas anti-chuva, anti frio, os cobertores, luvas que parecem de cozinha instaladas nas manetes. Hello Kit é adorada por aqui. Fácil encontrar ela até em formato de moto.

Seguindo meu plano traçado passei por um portal mais restrito a carros. Um parque natural onde na estrada principal as faixas para bikes são mais largas que dos carros. Ali viam se turistas chineses passeando de bike, scooters e tirando selfies.

Da outra vez que estive no pais visitei cidades muito grandes e lugares extremamente turísticos como a muralha da China, o que tinha me deixado traumatizada e receosa em voltar.

As pessoas que me desculpem, mas elas interferem na minha conexão direta com o planeta, ainda mais se estiverem falando alto ou tentando vender algo que não queira comprar. Mas aqui, apesar de estar em uma zona turística o acesso parece mais difícil e claro não é temporada alta.

Segui pedalando pouco, praticamente deixando a bike ir, sem por forca no pedal. Não sabia para onde ia e nem tinha pressa de chegar. A paisagem da estrada era algo indescritível, as formações acompanhavam o cenário extenso. (Olha a foto 180 graus abaixo!)

Quando chego a ponte do rio Yulong, meus olhos enchem de agua, mais uma paisagem que quase me faz chorar. Isso tem acontecido comigo, ao menos uma vez por dia, num susto, uma imagem me transborda.

Na ponte pouco antes de virar vejo a placa de Moon Hill! “Nossa estava esquecendo de um item planejado.” Dois quilómetros? Ta fácil! Antes de chegar no portal do outro lado a esquerda la estava ela me esperando:

Paga se 11 RMb para entrar no parque, é ate esquisito depois de ter acesso a todas as maravilhas da região pagar para escalar uma montanha furada, mas estava na lista dos “musts dos”. A parte boa de deixar a bike é que com ela fica o cadeado (Benza Deus!). Toca a subir aparentemente 800 degraus.

Mas a verdade seja dita: a vista la de cima é muito bonita! No topo tinham 3 vendedores e um turista; trocamos gentilezas eu sua foto e vice-versa.

Descer foi mais difícil porque os degraus estavam escorregadios com barro da chuva. Mas de novo; é devagar que se vê o mundo.

Aproveitei para ir ao banheiro e mais uma vez o trauma deu lugar a uma nova perspectiva. Ta, os banheiros na China não costumam ser limpos, agora esse… tive até que tirar foto! E tenho que confessar, faz sentido um buraco no chão num banheiro publico, porque quando tem privada a gente não senta mesmo. Com descarga automática e tudo!

Peguei a bike e voltei para as margens do rio Yulong. Foi so sair da estrada principal que os poucos turistas que tinham desapareceram e o mundo das nha bentas gigantes (direito autoral do nome roubado) era todo meu!

Depois de percorrer as margens do Yulong, olho no maps e vejo que o lugar do bamboo rzafting que a mulher do hotel tinha indicado ainda estava muito mais para frente, e curiosamente o trecho mais bonito do rio era por onde passei: “Talvez seja melhor encarar outro rafting.” Assim por 160 RMb metade do preço do hotel embarquei no meu rafting.

Com mais duas embarcações perto fomos parte do rio abaixo. Eram sete chineses contra um, e eu querendo pedir para eles ficarem quietos. Ei! O rio pede silencio! Mas, em minoria, virei a chave e decidi convencer o meu piloto a me deixar conduzir. Ja estou pro nas mímicas: o Chines ria, ria e dizia “No” eu esperava um pouco, virava para trás novamente: “Please, please!” Ele ria. Em vão.

Na hora que desci os meus quatro amigos de rafting ficaram tentando entender qual era o meu pais. Eu ainda não consigo falar Brasil em chines, mas para vcs terem uma noção não tem o R, como é obvio. O guia também tentava me ensinar a dizer.

Enquanto eu tentava entender onde estava a van que me levaria para buscar minha bike (durante o dia eu vi alguns carrinhos elétricos levando as pessoas) Ai a menina fez sinal “andando”.

Eles estavam com esse guia ou amigo num carro grande com 6 lugares eu imaginei que deveria ser o serviço do rafting, apesar de que o carro talvez fosse um pouco sofisticado demais. Eu juntei com eles e entrei no carro.

Eles se entre olharam riram e começaram a conversar. Eu sem entender nada. “Bike?”

Enquanto sentava no banco traseiro respondi: “Yes my bike is at the rafting center.”

Enquanto eles me levaram de volta para buscar a bike eu ria por dentro e tentava formular uma teoria. Aqui a brilhante conclusão; quatro amigos foram fazer rafting e contrataram os serviços do hotel que disponibilizou motorista e uma van particular para leva-los. Quando um ser loiro de um planeta chamado Baazii entra no carro praticamente obrigando os a darem carona. Desci do carro, ri alto sozinha.

Indo, vindo, esquerda, direita, um lado ou do outro, a região do rio Yulong é o meu lugar mais bonito do mundo:

Love from China!