Meu padrasto me perguntou: “Não seria mais fácil usar um tradutor ao invés de ficar fazendo mímica?” 

Sim. Viajar de carro pode ser mais fácil também, não é? A graça de uma viagem para mim está nas vivências. Os momentos que tenho tentado me comunicar tem sido muito divertidos.

Amo o viajar lento, descobrir os detalhes, viver a cultura local usando todos os sentidos, mesmo que isso possa ter que envolver um Mc Donald’s emergencial 🙂

Quando planejei vir de bike de Guilin até Yangshuo pensei em voltar também, mas depois de estudar e descobrir que a alternativa cênica e segura para o pedal era a mesma rota, tive a boa ideia de voltar de barco.

A ideia numero um mesmo, era remar no rio Li mas as pesquisas me mostraram não ser permitido (chegando aqui só comprovei o fato) então explorar a região de bike passou a fazer mais sentido e poder voltar de barco seria a cereja no topo do bolo; assim não faria o mesmo trajeto e teria a visão de dentro do rio.

BOAT CRUISE YANGSHUO TO YANGDI

Às 9.50 da manhã a moça do meu hotel me levou até a turma que iria pegar o barco. Com exceção de duas americanas, a guia e todo o grupo Chinês.

Pontualmente as 10.30 da manha o barco saiu. Como no rafting de ontem, cheguei a ficar preocupada que novamente poderia ter minha introspecção roubada.

Ai veio a filosofia do dia; temos que estar sempre com energia aberta e sem expectativas. Divertir se não pode depender de que a vida siga o rumo exato que a gente quer dar para ela.

Assim fluindo como o rio Li, pude viver intensamente dois momentos:

O momento PEACE.

Quando sozinha me conectava prontamente com a imensidão ao redor.

O tempo mais cheio de névoa, quase chuvoso, torna tudo mais místico. Aqui aprendi a gostar dele assim e descobri que traz mais vistas e ângulos como o paisagismo local, deixando o passeio uma continua descoberta.

Tive muitos momentos a sos com com rio.

E o momento I love Chinese people. Achando graça, depois de algum tempo que o barco partiu, as pessoas começaram a ficar mais a vontade e novamente vinham pedir para tirar foto com o ser loiro.

Mais que isso, a diversão ficou por conta do fotografo do barco (imagino que as pessoas devam contratar os serviços com antecedência).

O Sujeito tinha um microfone com um speaker na cintura e ia dando as instruções de pose aos seus clientes, talvez mais da metade do barco. E depois que ele conseguia seu shot soltava um “Oh Yeah!” Eu entendia 50% do que ele falava (dai calcula-se a quantidade de Oh Yeahs! que animavam a turma).

Ria sozinha com as poses sugeridas, com as caras e bocas e me divertia tentando ser mais rápida que o fotografo para conseguir um bom clique.

Mas a lotação do deck superior do barco foi mesmo quando chegamos a curva do rio em Xingping, lembram? A famosa da nota de 20!

E não é que é igualzinha?!

E depois de entender qual era o meu rio Li, fui descobrir qual era o dos outros:

Todos lindos, não?

O trecho de barco que fiz do rio veio até a metade do caminho Yangdi, o restante do percurso tive que convence los a colocar minha bike no ônibus. 

O Ônibus parou a 10 k da cidade e lá fui eu pegar a “minha” faixa preferencial de bike e seguir adaptando me novamente a “muvuca” de cidade grande.

Glad to see you, Guilin!