Após três noites bem passadas no pequeno do Wally em Wulingyuan, uma das entradas, do parque pensei que poderia ser um bom plano fazer o caminho inverso do primeiro dia; atravessar o parque pela trilha Golden Stream e tentar achar um hotel na outra entrada do parque, no meio das montanhas e sem civilização nenhuma.

Meu terceiro dia de Zhangjiajie  Park seria então repetir a mesma de trilha da parte de baixo do parque e explorar uma montanha de suas partes altas que eu ainda não tinha estado.

Resolvi que chegaria a entrada antes de seu horário de abertura para evitar muita fila para entrar no primeiro ônibus (Lembrando que essa entrada só da acesso a visitação assim).

A fila já estava quilométrica grupos liderados por guias e suas bandeiras já se aglomeravam no portão. 

Uma chinesa vendo que eu estava sozinha fez sinal para que eu entrasse na sua frente. Depois todo o grupo virou se para mim e enquanto me analisavam de cima a baixo falavam entre si. Eu me senti muitas vezes assim aqui na China; um E.T caído de um o.v.n.i.

Antes das sete e meia o parque abriu seus portões. Todos os parques que visitei tiveram sempre segurança e raio x antes de entrar.

Fui direto para fila do ônibus principal porque já fazia uma ideia de qual era. Ao me ver sozinha um motorista me chama e faz gesto perguntando onde está meu mapa. Prontamente o tiro da mochila e mostro onde quero ir, ele aponta o ônibus. Simples!

Quando pesquisei sobre Zhangjiajie national park eu li em muitos blogues que seria difícil me orientar dentro do parque já que todas as instruções estão em chinês e que a área é muito grande. Acho que no últimos anos os Chineses tem se preparado mais para o mundo de fora. Algumas placas tinham tradução em inglês e mesmo sem saber falar inglês muitas pessoas se disponibilizaram a me ajudar quando precisei.

Fui a primeira pessoa a entrar na trilha e pude experimentar os locais onde tinha estado anteontem, sem viva alma. Alguns trabalhadores varrendo o parque, outro cuidado que percebi que os chineses têm tido mais; limpeza. E aqui isso tem que ser feito, porque muitos dos macacos pegam o lixo espalham pelo chão.

Uma longa e pacífica caminhada de oito quilômetros me levou a entrada mais bela, onde tem a chamada praça do oxigênio. O contrastante paisagismo dali, antes de nos encher os pulmões, nos deixa sem ar.

M a r a v i l h o s o !

Hora de subir a trilha e explorar novos horizontes. Peguei congestionamento por essa entrada do parque o acesso as trilhas é direto e como ainda era cedo muitas pessoas estavam apenas chegando.

A trilha era exigente a nível físico porque era sempre a subir, escadas e patamares sem fim.

Eu aí pedindo licença em inglês e agradecendo em mandarim. Era um interminável grupo de estudantes, provavelmente uma série inteira de escola.

“Hello how are you? Welcome to China!” Foi a terceira vez que um adolescente me cumprimenta dessa maneira doce aqui em seu país.

A língua inglesa pode ser uma raridade na China, mas percebi que entre os jovens ela é praticamente mandatária. Eles já descobriram se quiserem conquistar o mundo (e estão a caminho disso) terão que falar inglês.

“Hello! Do you mind if I talk to you?”

Um dos teenagers se aproximou de mim e enquanto subíamos começamos a conversar. Ele me explicou que escalar a montanha era uma experiência para escola e que depois disso teriam que escrever um artigo sobre.

Quando perguntou o meu nome eu disse Luciana mas que ele poderia me chamar de Lu.

“Ok Miss Lu.”

“Não, você não precisa me chamar de Miss, pode ser só Lu mesmo.”

“Mas Miss é sinal de respeito, Miss Lu.”

Subimos um bom trecho juntos e depois que ele já não acompanhava meu ritmo nos despedimos.

“Posso apertar a sua mão?”

“Claro!”

Contraditoriamente o Chines, que está acostumado a viver com pouco espaço enfrentando as aglomerações, respeita o espaço pessoal alheio. Tive que me controlar; abraço nem pensar! 

Explorei todas as trilhas, lados e cantos secretos do topo da montanha, desde o momento cheio até o momento vazio. Vistas lindas e cantos só meus.

Mais uma vez me encantei com o trabalho na construção dos guarda corpos, que com a passagem dos anos ganham a aprovação da natureza:

Até morrer de fome. Ai la no topo decidi enfrentar a realidade e tentar comer. Numa banca o Chines me chamou e me mostrou o macarrão de arroz num pote e diversos potinhos com diferentes ingredientes.

“Ok essa massa sim, coentro sim, cebolinhas sim… Não não! Esse molho é muito picante!” Ai fiz o gesto mostrando que eu queria tudo o que não fosse picante. A senhora me respondeu em mandarim:

“Ta bom vai sentar, que eu preparo e levo na mesa.”

Minha avo sempre disse que o melhor tempero é a fome, então talvez eu não tenha nenhum credito em dizer que a massa estava D E L I C I O S A!

Depois, sem pressa nenhuma, desci pela mesma trilha, evitei a gôndola porque queria me despedir do parque intimamente.

Na entrada mais linda era hora de agradecer a Zhangjiajie tudo o que ele me enriqueceu; as vivências, as paisagens e o grande espaço que mais esse pedacinho da China ganhou no meu coração! Até amanhã! 

Love from Zhangjiajie National Park!