Voltar para Guilin soava como voltar para casa.

Voltar para Guilin trazia uma tranquilidade dupla; significava voltar para o lugar que mais me encheu de paz e ao repeti lo, a mente podia relaxar porque ja sabia o caminho.

Como toda região de Guilin onde estão os montes famosos ja tinha sido previamente explorada foi fácil escolher o destino certeiro para passar os meus últimos dias aqui na China.

Escolhi um hotel na zona rural, afastado de Yangshuo, nas margens do Yulong (daqui ouve se o rio!).

O voo de Zhangjiajia para Guilin levou uma hora e depois mais uma hora de carro para chegar ao paraíso.

Min, uma das meninas do hotel, veio me explicar os bons locais para se visitar e perguntar o que eu gostaria de fazer. Ela tem um cafe ao lado do hotel, de dia toca o seu negocio e a noite trabalha na recepção do hotel.

“Ah, voce quer uma bike? Pode pegar a minha, eu agora tenho uma moto elétrica e não tenho andado com a minha bicicleta, vou ficar feliz em ve la sair.”

Como estava com fome fui ao seu lindo quiosque  de madeira e bambu para comer noodles. 

“Sem carne e sem tempero forte, por favor.”

Conversamos sobre muitas coisas; novas gerações, Tai Chi e a tradiçoes Chinesas. Min, me contou que aprendeu a falar ingles vendo filmes: “Eu sou apaixonada por todos!”

Depois do macarrão Chines, peguei sua bike e fui passear pelas margens do Yulong, atravessei para o outro lado e comecei a explorar trilhas ou ruazinhas por onde conseguisse passar, as vezes tinha que dar meia volta.

Nessa zona rural, como em qualquer outra, a vida passa devagar.

Pude observar crianças votando da escola, muitos trabalhadores no campo, de enxada na mao e seus chapéus triangulares de palha, tem alguns turistas de bicicleta, os cachorros que não latem e os locais que sempre respondem o “Nihau!” a minha iniciativa.

Momentos que pedalo em ruazinhas de barro que ainda estão com poças dos dias chuvosos. O visual,  o calor húmido abafado, os sons das cigarras, o barulho do rio me remete a minha infância em Ilhabela. O cenário pobre de casinhas sem acabamento, crianças brincando na rua me lembra o interior do Brasil, Minas, ou Bahia, so que as lanternas vermelhas e os letreiros me lembram que estou no oriente.

A volta de 13 quilómetros demorou menos que duas horas com muitas paradas para observar. A beleza das montanhas, dos campos verdes, das plantações. Do sol que por trás de tantas nuvens se mostra uma bola amarela ja baixo proximo aos picos redondos das montanhas. 

Voltar para Guilin foi assim; mais um lindo e pacifico passeio de bike.

Voltar para Guilin for sentir me em casa, mesmo do outro lado do mundo.

Love from China!