“Eu não quero nada que seja turístico!”

“Não se preocupe que não será!” Garantiu Min minha amiga do hotel sobre a aula de Taichi que acabara de reservar.

A escola de Taichi do mestre Kim é perto do vilarejo que estou hospedada, poucos minutos de bike e ja estava no seu espaço mágico.

A prática me conquistou no ano que morei na Australia quando pelo menos uma vez por semana de manha cedinho me juntava ao grupo de chineses e tentava seguir os movimentos que faziam.

Aqui descobri que existem tipos diferentes de Taichi de acordo com a familia de que provem. A posição da mão e os movimentos diferem de um para outro. Aqui aprendi a falar Tai Chi (Táidji).

Uma hora de pratica, numa aula que seria de grupo e para minha sorte foi privada, me deixou ainda mais maravilhada pela arte centenária. Sabedoria, energia, respiração. Atenção ao corpo. Calma.

O Espaço da escola integra natureza e construção em perfeita harmonia, o Yin e Yang pintado no chão da sala fazia todo o sentido. Eu tentei absorver suas palavras e explicações ao máximo, nem piscava para não perder o segundo.

Gostei tanto que voltei no dia seguinte para mais uma aula, se pudesse voltaria mais. Os dias na China chegaram ao fim.

Incrível a quantidade de historia e vivência que abarrotei nos meus dias aqui.

No ultimo dia de China acordei e pedi o café da manha chinês. No penúltimo, entrei num restaurante local e já sabia o que escolher para almoçar.

As comidas, as frutas. Longan, uma frutinha que parece líchia, só que amarela e mais adocicada.

Aprender a “ler” Coca-cola, entrada, e saída. Identificar isso em alguns momentos. Já, falar; apenas obrigada e quantos foram! Xièxiè!

Tentando ler e criar teorias próprias sobre as escritas. Encontrando Lu por tantos lados.

Antes de ir embora para o aeroporto sentei com Min em seu café e conversamos sobre assuntos aleatórios, sobre a vida, jogamos conversa fora, tomando chá. Ao partir, nos abraçamos como latinas.

Me perdi de bike, muitas vezes pelos mesmos caminhos. Parei. Observei. Tentei mesmo absorver tanto mais do país. Tirei mil fotos visuais. Tentando lembrar uma curva do rio, a vista do hotel. Fazendo por decorar um lugar.

Pintei um dragão no braço e amor na mão para garantir alguns dias extras de China tatuada em mim.

Agradeci o tempo que foi bondoso comigo e não me privou de nada, quando era preciso ter sol, ele apareceu. Aprendi a gostar imensamente dos dias nublados que com eles vinham as névoas e adicionavam magia e mistério ao horizonte montanhoso.

Entendi como estar nas ruas, pilotar uma bike no meio de tantas outras e compartilhar com motos. Entendi o sistema chines de transito. Criei teorias pessoais do porque que acho que ele funciona.

Adorei a caminhada na chuva, a introspecção de muitos momentos. Me diverti com tantos outros cheios de gente e barulho. Com traduções e interpretações vencidas que deixavam de lado a barreira da lingua.

Adorei posar para tantas e selfies e fotos que pediam para tirar. Agradeço tantas outras que se ofereceram para tirar de mim, quando viam a minha luta com o automático da camera.

Num domingo que poderia ser de Páscoa, mas num mundo onde não existe Jesus.

Incrível poder sair da nossa bolha e vivenciar outras verdades que não as nossas. Estar aberto as diferenças, a experimentar o novo sem por barreiras ou “se nãos” e ao fazer isso abriu se um horizonte novo de vivências coloridas. Que daqui levo embora no coração!

Xièxiè China. De coração!