A chuva castigando a janela durante a noite, trouxe pesadelos do passado; seria hoje mais um episódio da série hipotermia?
Felizmente São Pedro estava de bom humor; quando saímos para a largada, o céu apesar de preto, não trouxe chuva.
Com o temporal da madrugada, a organização fez algumas alterações no percurso que teve algumas partes inundadas.
Dos 52 k do dia, tinha um trecho neutralizado, por motivos de preservação de área ambiental.
Então o plano era; acelerar o máximo possível até o quilômetro 10. Depois reduzir, tirar fotos, parar no abastecimento e comer. Recuperar energias para acelerar novamente.
Os meninos já desapareceram antes mesmo da largada, enquanto eu me abrigava do vento, os dois aqueciam as pernas.
Beijinho de boa prova e foi.
A trilha Camí de Cavalls acompanha o mar, num sobe e desce pela costa. Não existem subidas intermináveis, mas existem sim subidas ardidas. O sobe-desce e as curvas contribuem para o constante “Wow!”
A paisagem pega a gente de surpresa tantas vezes!
No começo passei mulheres mas todas eram de duplas mistas. Não vi nenhuma categoria individual, então corria contra meus limites.
“Se os corredores passarem a é sinal que estamos na…” a frase do João ecoava na minha cabeça.
A Camí de Cavalls existe versão mountain bike e trail run, elas acontecem juntas mas com largadas separadas. Quase fui atropelada por o pelotão da frente. “Oh no! Os corredores, isso quer dizer que eu tô tecnicamente na lama!”
Por falar em lama:
E por falar em técnica, tinham bons trechos que exigiam habilidades, eu fiquei bem feliz de passar por muitos desses trechos na parte não cronometrada porque assim eu podia curtir em grande!
Fiz um amigo que tinha mesmo ritmo que eu e uma bike igual. Nas descidas eu ia na frente, nas subidas ele me alcançava. O melhor da parceria foi o abrir das porteiras. Eita Terra do abre porteira, fecha porteira! Me lembrou as corridas de aventura.
“Vamos Héctor!”
A bike é uma Trek Top Fuel, 29. Comparando com a minha bike, bem mais pesada. No track dos cavalos, ao abrir uma porteira a bike quase foge, seu nome já me veio; Burra! É isso! Nas subidas pedradas eu tinha que puxar a Burra, e às vezes ela empacava.
E o vento? Bem ao alto de penhascos onde davas umas bravas bufadas e jogava a gente para fora da trilha.
“Aqui merece uma foto!”
Quando passei por uma das praias agradeci a “não chuva” porque não estar com frio me fazia estar em ótimas condições de apreciar a paisagem, e que paisagem!
Depois de muito tempo no “passeio” comecei a ficar na dúvida se já havíamos passado pela entrada da segunda parte cronometrada.
Ela estava cinco metros antes do último posto de abastecimento. Nem parei; momento de acelerar!
Quando acelerei fiquei muito tempo sem ver atletas e sem ver fitas. O trilho é mal marcado. Porque a gente diminui a velocidade quando acha que está perdido? Não adianta nada!
No trecho de asfalto final, aquele momento que deveria ser um alívio, o vento tava endiabrado. Fui revezando vácuo até a chegada, e morrendo pelo caminho.
Com pouco mais de 4 horas cruzei o pórtico de chegada. Em terceiro, será?!
Os meninos já tinham chegado há algum tempo. Todos felizes!
One down, two to go!


4 Responses
Boa LuLi, fotografando e escrevendo cada dia melhor! Boa!!!
Menina porreta!!!orgulho da sua garra ! Love U!!!
Vamos luliiiizzzz vai forte estou com vocês todos aí! 💪😊
Eis que “urze” o momento de buscar todas as forças e mostrar a garra de rosa venenosa!! Força power girl, a minha luz com 3 pilhas está contigo🤣🥰💞