HAKA RACE RELATO DA DRI

BikevilleQuem conhece Campos do Jordão, sabe que lá existem várias opções de hospedagem para todos os gostos e $$$.

Dessa vez resolvi pedir indicação para uma amigona que mora por lá, aDrika que me indicou a Pousada Bike Ville de um amigo.

Curiosa com o nome Bike Ville, fui dar uma olhada no site, e para minha surpresa a pousada era toda temática, tinham cardápios de trilhas de Mountain Bike, seu projeto foi realizado de materiais reutilizáveis, pensando em sustentabilidade.

Sua localização é excelente, fica bem no meio da Avenida Principal de Campos do Jordão, tem mercado por perto, restaurantes, padarias e até uma hamburgueria, se chegar cansado do pedal.

Perfeito! É aqui que vamos ficar para a competição de Mountain Bike de 04 dias na Serra da Mantiqueira.

Nada melhor do que ir com amigos, Márcio (maridão), Bia, Tirinho, Marina, Igor, Sylvia, Marcão, Andrea, Lucas e eu. Filipe, Alê, Fabio, Raquel e Boquita.

Primeiro dia de competição

Distância de 71,30km, elevação 2188m, saída e chegada em Campos do Jordão.

Independentemente da prova que esteja participando sempre vai dar aquele nervoso de largada. Eu gosto de olhar os rostos de todos e ver como cada um se comporta. Dá para sentir a energia, é muito legal!

É dada a largada. Ao lado da Bia, Marina e Stylvia, não tinha a mínima ideia do que ia acontecer, apesar de já ter um certa experiência em provas longas, minha largada é bem complicada. Como diz a Luli, sou igual a forno a lenha; demora para pegar e quando pega vai embora. Mas dessa vez não queria ser um forno a lenha. mudei a estratégia e resolvi ser forno microondas.

No começo foi difícil ficar com as meninas, mas de repente, aparece o primeiro single track, “Ufa!” consegui alcança-las e fomos o tempo todo juntas nas subidas, descidas, até o final. Primeiro dia finalizado e feliz da vida por chegarmos todas juntas. Os meninos já haviam chegado.

“Opa! Que cara é essa Tirinho?”

Igor me pergunta se eu tinha cruzado com o Márcio. Ou seja; o Tirinho havia entrado no lugar errado, e como é mutante fez 15km a mais com mais montes de subidas e ainda chegou antes da gente, e Márcio que fez o mesmo caminho chegou uma hora depois de nós.

Segundo dia de Competição

Distância 66,22km, elevação 2561m, saída São Bento do Sapucaí , chegada Campos do Jordão.

Cada um tem seu jeito de competir; eu, por exemplo, não posso olhar absolutamente nada; mapa, elevação, nem ficar estudando o percurso. Funciono melhor se for sem saber o que virá pela frente.

Chegando em São Bento do Sapucaí, passamos o número para o Pc quando ouço:  “Hoje é aquela tal da Luminosa e o Quebra Perna.” Fiquei estática e logo me deu um gelo na barriga. Quem já fez o Caminho da Fé, sabe do que estou falando, quem já fez o Haka Mtb, nos anos anteriores, sabe também.

Tinha certeza que era no sábado. Bem feito para mim que nunca quer saber. Mas também, não ia fazer a mínima diferença, tudo só sobe o tempo inteiro!

Todos preparados para a largada e as meninas dizendo para irmos juntas de novo. Será? O problema dessa largada é começar com uma descida infinita, depois um plano infinito e em seguida uma subida sem fim junto aliados a um calor absurdo. Nesse momento o coração está na boca a perna começa não responder e o Homem da Marreta se joga na frente da bike, segura o guidão com as duas mãos até você parar pedindo clemência.

“Por favor Homem da Marreta, hoje não!”

Depois de todo esse acontecimento, dois minutos parada na sombra consegui baixar meu batimento ao jogar água na nuca e assim voltar a busca pelas amigas.

Comecei tudo de novo. Me lembrava que tinha a descida da Luminosa que é infinita e além. Só que precisava tomar cuidado com a empolgação, este downhill tem muitos obstáculos.

Lá fui eu no meu ritmo, porque sabia mais ou menos o que vinha pela frente. Depois de um tempão descendo chego ao ponto de água e quem está lá? Marina e Sylvia, Ufa! Que felicidade me juntar à elas de novo. A Bia, praticamente não parou, foi embora.

É muito bom ter companhia de amigas que combinam com você, mas inda bem que eram de outra categoria…

Depois desse ponto de água começou o sofrimento geral, independentemente se do primeiro ao último atleta, todos sofrem nessa subida inclinada cheias de pedras, terra fofa e calor insano. Nós três fomos juntas até o final e parecia que nunca mais ia terminar. A Bia chegou 20 minutos em nossa frente. Os meninos como sempre, mandando muito bem.

Terceiro dia de Competição

Distância 72,68km, elevação 2300m, Saída Santo Antônio do Pinhal chegada Campos do Jordão.

Dessa vez não teria nenhuma novidade no percurso, a única coisa que sabia que só teria estradão de novo ( isso me mata) sem nenhum singletrack.

Largada todas juntas e lá vai, começa a sessão, subidinha suave, descida, subidona, descida, plano, descida e chega um falso plano em que o Homem da Marreta veio sei lá de onde, me deu uma marretada em cheio, me senti em uma escada rolante ao contrário, ao invés de ir no sentido certo parecia que estava sendo puxada para trás.

Quando olho direito não estava só o Homem da Marreta como a família toda. Será que só eu conheço a família dele? Não pode ser que os amigos portugueses não conheçam! Eles foram junto comigo do começo até um pouco antes de finalizar esse dia. Foi muito sofrido, nada respondia. O coração estava a mil, minhas pernas davam aqueles nós e eu pensava para onde essa família vai me levar?  Até que encontrei a Fabiola e a Kelly, foram super queridas e me deram um baita apoio, mas mesmo assim não consegui acompanha-las.

Depois de um mais tempo sozinha, encontrei a Dani Nagaoka e a Ju, outra dupla feminina. Elas foram muito fofas e fomos até quase o final juntas. Alguns momentos estavam tão críticos, que a Dani até ajudou a empurrar a minha bike na subida. Faltando 10km para terminar, encontramos o ponto de água com Coca-Cola e Tubaina e comecei a melhorar um pouco. Estava toda molhada de tanto que entrei em minas de águas.

A Marina, Sylvia e Bia chegaram uma hora na frente.

Quarto dia de Competição

Distância 50,09km, elevação 1850m, saída e chegada Campos do Jordão.

Depois do dia anterior estava ciente de que havia acontecido; realmente sou um forno a lenha, preciso respeitar o meu corpo e trabalhar muito para melhorar. Isso é fato! Não desanimei, fiquei chateada mas a culpa foi só minha.

De novo junto com as meninas, é dada a largada. Comecei a perceber por onde estávamos pedalando não era nada estranho e depois fui ligar as coisas; era o caminho de ontem ao contrário. Sofri como uma desgraçada, só que, nesse meio tinha um Singletrack animal!!! UFA!!!

Fiquei para trás na primeira subida que apareceu e as meninas foram embora, mas sabia que se me esforçasse um pouco chegaria nelas novamente.

Antes do Singletrack ficaram todas as duplas femininas juntas e eu atrás de todas. Pensei comigo: “Preciso fazer esse Single na frente” é a parte mais divertida da prova.

Um pouco antes de terminar a descida num belo cotovelo para esquerda apareceu o que eu tanto esperava; o Singletrack do Batman, momento perfeito.

A Bia que estava logo na frente e perguntou se eu queria passar, porque sabe que sou apaixonada por Single. Obrigada Bia!

Fui tão feliz, mas tão feliz, que nem vi mais as meninas, claro que comprei dois terrenos (levei um tombo em que a Bia disse que só viu as anteninhas voando) “Ai minha bunda, que dor!” O segundo tombo foi no embalo de uma descida para uma subida ingrime e de repente, meu pé saiu da sapatilha que ficou grudada no pedal. E lá vou eu para o chão de novo. A sapatilha ficou girando no pedal…. “Hahahahahahaha…”

Tudo que é bom dura pouco, chegou a subida infinita para finalizar a prova. Eu achava que eram 20km de subida e me disseram que eram 10km. Bom, melhor não saber, vou ter que subir mesmo.

Já no início da subida vem a Bia com um ritmo lindo de subida, passaram-se dez minutos vem a Sibelly com o mesmo ritmo da Bia. Impressionante!

Fiquei feliz em conseguir chegar na frente de todas duplas femininas, não que eu queria chegar para ser a melhor, não! Eu queria ver o gatinho que existe dentro de mim virar tigre, quis entender o que é ser tigre por um momento. 😉

Tirinho, Igor e Márcio foram muito bem, terminaram todos os dias super felizes e satisfeitos com suas colocações. Marina e Sylvia ficaram em primeiro dupla feminina. Bia ficou em quarto na solo feminino e eu em quinto.

Bia, Marina e Sylvia foi uma honra competir ao lado de vocês! Me ensinaram muito, obrigada de coração pela companhia. Márcio, Tirinho, Igor sempre engraçados, obrigada pelas  altas risadas.

Riplas Azelha, Fátima Lemmi e Keizo Kato, agradeço muito as energias enviadas e vibração de vocês. Fiquei muito emocionada!

Boas vibes Pink!

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2 Responses

  1. Que delícia de relato, Adri!!!! Uma honra poder torcer por vocês!!! Esse Tirinho é bagunceiro, mas no fundo, nomfindo, é boa gente! rsrrs
    Ler isso, me fez estar nas curvas, pedindo prá ir devagar nas descidas, coisas que eu fazia com o Gringo e a Cau, nos Camps da vida! Êêêê coisa boa!
    Conte sempre com a minha torcida! Beijão

  2. Admirável a sua persistência! Eu odeio subidas, e no meu ombro tem sempre um grilinho que me aconselha a desistir… mas eu não lhe faço a vontade 😀
    Importante é terminar com um sorriso no rosto! Beijos de Portugal.

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