Cruce de los Andes Stage 2 – Tudo são flores!

É impressionante a estrutura dos acampamentos do El Cruce. Quando a gente termina a etapa somos recepcionadas, e nos conduzem às nossas barracas, que tem numeração igual para os dois dias.

Antes de virmos para cá, também podíamos criar uma sigla para que nossas barracas ficassem próximas. Ou seja; não há stress, a barraca vai estar te esperando, e se você está em turma, elas estarão juntas. Sim, estamos falando de um acampamento para mais de mil pessoas! Surreal!

A comida é também algo de impressionar. Uma partilhada argentina! São 4 refeições; café da manhã, almoço, lanche e jantar. O horário do jantar também é atribuído de acordo com a ordem de chegada, e uma pulseira garante sua entrada no horário marcado.

Tendas enormes espalhadas pelo acampamento. Massagem é outra delas. É chegar, marcar o horário disponível e aproveitar o tempo livre da tarde para focar na recuperação para o dia seguinte.

O banho é crioterapia no enorme lago azul que abençoa nossa praia. Estava frio, mas não tive duvidas, coloquei o biquini e encarei a água atraindo olhares de espanto de alguns: “De onde você é? Brasil??? Achei que fosse nórdica!”

A classificação está disponível em outra tenda. É dar o numero do dorsal que imprimem o seu tempo.

Tem a dos colchões também, para aqueles que, como a Tatu, alugaram para garantir conforto na hora de dormir. Boa noite!

O dia seguinte amanheceu lindo.

Nós estávamos sem pressa nenhuma porque o nosso horário de largada estava programado para as 8:35 quando:

“Vocês sabem que é preciso entregar as malas no caminhão até as 7:30, certo?”

“Luli, corre!” Eram 7:23 e minha bagunça estava toda espalhada pela barraca.

A Tatu foi fazer uma bandagem no pé que ficou doído de ontem enquanto eu fui procurar Stefi uma staff que havia me pedido uma selfie juntas antes de largar.

No telão está a ordem de largada de acordo com a classificação, aquela, que retiramos impressa logo quando chegamos.

Staffs seguram placas com a numeração de largada dividida com números de cem em cem. E ai você acha que larga no pelotão dos 100 tudo junto? Nada! Quando você acha a centena que pertence, ainda precisa alinhar exatamente na ordem do seu número de largada.

A fila larga de dois em dois. Seguindo e respeitando exatamente a classificação do dia anterior! Impressionante!

“Essa flor deve ser de vocês, mas eu achei e não vou devolver.” Conta Gabriela que ontem na trilha perdeu o alfinete que segurava o seu dorsal e achou a flor na trilha bem quando precisava.

“Ela é sua por direito. Você pediu e o universo te mandou. Que ela te traga muito boa sorte!”

Hoje nosso dia é assim; a distancia assusta mais que altimetria. Prefiro dias como ontem; com uma enorme subida, do que um zip zag com sobes e desces “rompe pernas”.

Nos despedimos da nossa praia e largamos para encarar a longa distancia de hoje.

Numa das primeiras subidas pegamos fila, dessa vez diferentemente do primeiro dia, a gente estava achando ótimo.

“Parar que delicia.”

Numa das descidas uma corredora “Que significam essas flores?” “Felicidade!” “Eu quero uma para mim.” “Claro!” Tiramos uma foto e depois que andamos mais um pouco ela para e me dá um anel.

“Serio?” Agradeci muito coloquei o anel no dedo, segui certa de que o anel era a concretização dessa partilha de energia boa.

Ai veio o plano. Musica.

Paisagens e lagos.

Flores, muita flores.

Ali antes mesmo do quilometro 21 o percurso começa a dar voltas; a gente vê loops e atletas para todos os lados. Quebra o psicológico total. 

Quando passo por um medico eu grito animada e ele responde; “Quatro quilómetros para lá e quatro para cá!” Ah não, no meu garmim consigo ver que estamos beirando o percurso. Antigamente não tinha isso porque íamos de um ponto a outro com destino ao Chile. Agora o passeio é por aqui.

O final para mim foi quebradeira; Asfalto?! Calor! “Ah não não não!” Era longo o trecho que faltava.

Encontramos uma brasileira correndo e ela diz “Agora tem que ser na força do ódio!” Hahahaha pior é que, para mim, era bem isso.”Na força do ódio!”

A Tatu, nesses quilómetros finais, ia lá na frente e não havia jeito de eu chegar nela. “Vamos, Luli!” 

Meu trote é o power walk dela, e ela no trote ia longe. “Tatu, eu tenho medo de você!” Sério, a pessoa treina meia dúzia de quilómetros e no segundo dia quase com 60 k no acumulado tá ai gritando “Vamos, Luli!”

“Quanto falta!” Não! Não se pergunta quanto falta nunca! Já viu alguém, alguma vez responder essa pergunta precisamente? Esquece.

Finalmente depois das mesmas seis horas e oito chegamos no segundo acampamento.

O banho na agua gelada foi conjunto. Massagem.

No final do dia sentamos numa roda e ouvimos um “sermão” incrível. Um speaker que está fazendo a prova falou sobre o quanto devemos ser gratos em estar aqui. Aqueles discursos emotivos que nos trazem ao momento presente e nos fazem extremamente gratos pelo privilegio que temos em estar vivos, no meio da natureza vivendo uma aventura na montanha. Ele ainda chamou um corredor de 73 anos para dividir seus segredos. Foi inspirador e emocionante.

Volto para barraca e na vizinha da frente vejo isso:

“É sua essa camiseta?” Mostrei o meu manguito com o “comemore a vida”; “Somos iguais!”

A mulher se aproxima de mim, com olhos mareados, diz que tem uma filha que teve um problema muito, muito sério e, desde então, ela adotou o “Celebre la vida.” Se emocionou tanto ao me contar a historia e voltou para sua barraca sensibilizada. Agora imagina eu? Me debulhei em lágrimas. Fiquei completamente comovida. Olhei pro céu e agradeci.

Agradeci a imensidão. Agradeci o presente. O universo tão alinhado à essa vibração!

Amanhã largamos para a ultima etapa do El Cruce.

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