Cruce de los Andes Stage 3

O dia amanheceu nublado. “Será que iremos pegar esse tempo lá no topo da montanha e congelaremos nossos dedinhos de novo?”

Pegamos um ónibus para a largada, que funcionou exatamente no mesmo esquema da largada no dia anterior; seguindo a ordem exata da chegada de ontem. A organização continua no seu melhor.

A dona da camiseta “Celebre la vida” vem me mostrar que leva a nossa flor com ela: Nos abraçamos fortemente, ambas prontas para fazer hoje mais do que pregamos.

Uma hora de viagem e quando chegamos pertinho de Villa Angostura estamos prontas para largar; é descer do ónibus e enfrentar mais um dia de alta montanha.

Descemos do ónibus e largamos, sem filas e sem ninguém.

O dia já esta aberto e o sol colore a manhã.

O percurso começa plano num visual bem florido. Nós seguimos num ritmo de corrida e trote naquela misto de felicidade porque é o ultimo dia e de tristeza porque é o ultimo dia. “Ultimo diaaaaaa!!!”

Corremos beirando um dos lagos e quando chegamos na travessia pulamos muito na água para a foto!

Ainda bem que me molhei bastante porque o calor já estava começando a pegar.

Chegamos no ponto de abastecimento fazendo a maior festa. Na quilometragem estava localizado antes do programado, somos avisadas que o próximo abastecimento seria somente no quilometro 25. Oi? Ficaremos 18 quilómetros sem agua. Mais precisamente a montanha toda! “Abastece tudo e se prepara.” E para quebrar o psicológico mais uma vez hahaha ali mesmo era o abastecimento do quilometro 25.

“Vamos ali subir uma montanha e já voltamos!” Hahaha

Começamos a subir e a paisagem já começa a se manifestar.

Entramos num bosque e numa trilha fechada, ai nosso ritmo começa a ser ditado pelas pessoas que estão na frente. É engraçado como meu corpo está mais adaptado para um dia como hoje; com grande esforço vertical. A Tatu acompanha. “Quando abrir, pede passagem.” Nem sempre conseguimos passar, muitas vezes fica meio indelicado, mas quando tínhamos uma brecha seguíamos, para não ficarmos presas num ritmo que não era o nosso. Passamos nossas amigas argentinas, as do “chiclete!”, uma delas estava tão no nível máximo de esforço que nem graça estava achando com as nossas brincadeiras.

Quando abre uma bonita vista o vento começa a apertar, muitas pessoas param para se agasalhar e tirar fotos. 

“Paramos?” 

“Não. Seguimos vamos ver se a gente consegue ganhar um pouco de espaço e não ficar presa no bolo.”

Mais para frente já estamos bem mais no alto e a montanha já não tem vegetação então paramos para nos agasalharmos como se deve.

O topo da montanha estava um vento surreal! Eu levei uma capucha de plástico que a Tatu me deu e esse foi o melhor agasalho que poderia ter, o vento não passa de jeito nenhum. O único problema era o barulho ensurdecedor do plástico na ventania.

O vento era daqueles que as vezes até te desequilibra.

Chegamos no topo do mundo, onde a vista era 360 graus. “Obrigada Patagoniaaaaaaa!”

Aí você acha que acabou? Nada!

Ainda tem um percurso de sobe e desce e sobe de novo pela crista da montanha. Numa paisagem desértica surrealmente linda!

O terreno era técnico e a descida que vinha também técnica. Pedra, areia e inclinação.

Na descida que doía tudo. Eu até tinha pensado em tomar um Advil antes de largar para disfarçar essas dores da coxa, mas acabei não tomando e fui controlando as dores aa cabeça “Pode doer, não estou nem aí!”

Corríamos num trote bem controlado.

Quando chegamos de volta ao nosso posto de abastecimento as staffs tinham colocado musica especialmente para a gente. “Tete teteretetete…”

Foi uma celebração com dança: Quanto carinho e energia partilhada! Investimos ali todo tempo necessário, mais coca cola, salgados, uma dançadinha a mais e pronto, agora já podemos falar em chegada. “Sete quilómetros para acabar El Cruce.”

Nos sete quilómetros finais é hora de agradecer. 

Agradecer a Tatu por ter aceitado o desafio e pela companhia em dias tão perfeitos. 

Agradecer a montanha e São Pedro que nos brindou, El Cruce, Renatinha, Simone…Universo alinhado por responder nossa vibração e nos deixar viver uma aventura tão bonita. 

Com seis horas e quarenta terminamos o nosso terceiro e ultimo dia de competição.

Uma linda medalha personalizada com nome honra todo esforço vivido em 19 horas percorrendo as trilhas duras e lindas da competição.

Muito feliz em voltar para o El Cruce, e ter essa surpresa do quanto a prova cresceu sem perder sua beleza e sua alma. Organização impecável, lugares maravilhosos, e as pessoas….Ah as pessoas! Que staff especial. Quanto amor energia e boas vibrações.

Obrigada El Cruce. Obrigada Patagonia!

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3 Responses

  1. Será muito válido eu sentir uma alegria extrema pala vossa conquista mas também uma certa inveja ( nome feio este) por não estar junto fisicamente a fazer festa♡
    Obrigada por partilharem esta aventura com o mundo e permitirem que possamos sentir aqui deste lado um bocadinho esse vento, esse calor, esses abraços num dimensão inexplicável e florida♡
    OBRIGADAAAAA♡♡♡♡♡

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