A conquista do Pico Ruivo

22.02.2022

Já sem saber o que fazer acordamos sem planos. O dia parecia mais aberto, mas as previsões estavam incertas tanto quanto a nossa programação.

“E se a gente saísse aqui do hotel a pé com destino pico Ruivo?”

Já tínhamos estudado as trilhas e a possibilidade de escalar a montanha mais alta da ilha era tentadora. Sim porque se saíssemos do hotel a pé, não congelaríamos na scooter.

“Pode ser que vocês deem sorte.”

Nos disseram que lá em cima poderia também estar aberto mas nós já andávamos descrentes.

A trilha criada daria por volta de dez quilômetros até o topo saindo da Eira do Serrado descendo para o Curral das Freiras e subindo o Pico.

Às 10h15 entramos na trilha que sai do miradouro na Eira. Qualquer coisa de poética; o verde como um tapete felpudo nos indica onde ir, seu trajeto sinuoso multiplica as opções de vista sobre o vale.

Não demorou muito estávamos no Curral das Freiras uma pequena aldeia rodeada pela imensidão das montanhas.

Dia lindo.

“Por aqui chegamos ao Pico Ruivo?”

“Sim”

“E dá para ir?” Eu, com medo que pudesse estar interditada após tanta chuva.

“Sim”

Andamos um bom tempo antes de realmente começar a subir. Achamos a entrada da trilha navegando; eu tinha o mapa mas não tinha o gps. De volta às raizes; corrida de aventura pura. “Navegar é preciso!”

A trilha não tinha indicação ou placa alguma e numa das bifurcações, nós instintivamente, viramos à esquerda.Andamos bastante até perdermos a picada e resolvermos que tínhamos que escalar um paredão de pedras para continuar.

Tempo e teimosia. Lá de cima conseguimos ver que não tinha trilha nenhuma e por não sermos nenhum Alex Honnold, decidimos voltar.

“Deixa eu ver esse mapa!” Aí ficou claro onde estávamos e a virada que tínhamos perdido. “Volta!”

A subida dali em diante era uma subida subida, daquelas ardidas e técnicas. Montanha. Vistas de cortar a respiração.

O dia estava lindo até a gente QUASE chegar no Pico. “Pô Eunice, a coisa tá bem pessoal hein?!”

Começou a entrar uma névoa e cobrir tudo de branco.

No topo percebemos que aparentemente a trilha que estávamos estava interditada, mas de cima para baixo, porque no sentido que subimos não vimos nenhuma indicação.

Com quase 5h, 15 k e 1.600 de ascensão, mais coisa menos coisa, chegamos no Cume.

No topo da ilha da Madeira a vista é linda! Tá bom; a vista deve ser linda, mas o que importa é a conquista. (Estamos tentando nos convencer disso.)

Paramos no abrigo que tem ali antes de pensar qual seria nosso plano, porque saímos do hotel como se não houvesse amanhã.

Gastamos tudo que tínhamos em bolo de chocolate. Hum!

“Melhor saírmos porque ainda temos muito chão pela frente.”

Confiamos que Eunice iria ser boazinha se optássemos por voltar pelo pico do Arieiro, a famosa PR1.

A dança da névoa nos presenteava com vistas ora encobertas.

A volta foi cheia de surpresas não só dadas por um trilho inacreditavelmente bem arquitetado, mas também pelas nuances do tempo incerto. Não tinha sol e estava incrivelmente belo.

O trajeto de 6k do Pico Ruivo até o Arieiro fizemos em uma hora e dez mas dali ainda estávamos longe.

As duas horas que ainda tínhamos de luz do dia foram muito bem aproveitadas.

Olho mais uma vez o mapa e seguimos por trilha até ter que cair no asfalto. Ali a gente já descia de costas de tantas dores nas pernas.

A volta de um dia inteiro foi de 30 k, o acumulado passou fácil dos dois mil.

Felizes e realizados com o que deixamos para trás e de pazes com Eunice.

Ilha da Madeira verdadeiramente conquistada!

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