Um grilo cantou a noite toda. Como é que pode, mesmo de janela fechada, ouvir em tão bom alto som? Na manhã seguinte encontramos Manoel nosso guia que nos levaria a um dos cartões postais do Parque.
Ao parar num mercado de frutas ouvi a mesma cantiga noturna. “É um grilo mesmo?”
Desconfiando que não pudesse ser olhei embaixo da geladeira do mercado e o barulho vinha do motor. Não pode ser! Querendo achar um culpado mais potente. Manoel imediatamente dá uns tapas na geladeira para fazer barulho. O grilo fica quieto por um segundo e depois volta com a corda toda.
Não que eu tenha me incomodado com o barulho do pequeno inseto; quando resolvi mudar de cidade a minha escolha era onde houvessem grilos a cantar. Onde o grilo canta, ouve se o silencio. Onde o grilo canta há qualidade de vida.
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Os Canios do Viana entraram na minha lista quando vi numa postagem do Roberto, que trabalhou comigo anos na Flower. Ele é do Piauí e vive orgulhosamente exibindo as belezas locais de seu Estado. “Uau! Isso é na sua terra? Vou ter que ir la conferir isso de perto.”
Não é nada fácil o acesso. Felizmente.

Já na bagagem o dia inteiro de viagem de carro para chegar ontem até aqui. Caracol.
Daqui até o parque são mais duas horas de estrada. Um pouco de asfalto depois entramos num túnel verde de chão de areia, que dá quase o espaço certinho para o carro passar, num retão interminável cheio de imperfeições que nos tira o conforto do banco a todo minuto.

“Vai pular!” o Tom avisa para gente se segurar.
“Tem que ser um carro 4 x 4. Não existe outra hipótese de lá chegar.” Nosso guia reforça a exigência que já tinha feito ha um mês atrás.
Manoel vai nos contando as curiosidades da cultura, natureza, biodiversidade local, preservando os nomes e linguagem nativa.

Conta a história que um senhor fazendeiro há muitos anos atrás veio para região e fez benfeitorias e ajudou o povoado local, e por mérito ficou com seu nome batizado nos lindos paredões.

O Parque são os canios, as gigantes esculturas de pedra. A base são fazendas; enormes e lindos pastos verdes.

Talvez essa mistura homem e natureza tenha sido a fórmula da beleza perfeita; o verde na base dá um destaque incrível para os paredões vermelhos.


Alguns ipês cor de rosa, imponentes palmeiras e arvores ainda pontuam a paisagem. O corredor tem alguns quilómetros, e nele fazemos algumas paradas estratégicas para fotos e caminhamos para sentir o peso monumental da paisagem. Incrível.

A meia volta é num lago marrom que casa na paisagem.

Depois temos que voltar exatamente pelo mesmo caminho, encarando as subidas com tração total e pulando que nem pipocas.

“Para!” Olha o tamanho dessa aranha.

A caranguejeira ve se de longe! Olha o tamanho dessa aranha!

Depois de mais de horas de viagem paramos na Gorete, um restaurante local para comer sua famosa galinhada acompanhada com feijão arroz e mandioca.

E por falar em mandioca ainda temos uma aula sobre a colheita e o feitio da tapioca. Tapioca? Estou em casa!

Amanhã seguimos explorando o interior do Piauí!


