Sea to Summit – Escalando Štirovnik (Montenegro Day 3)

Eu tinha feito algumas pesquisas na véspera de trilhos para subir montanhas que saíssem do mar.

Kotor tem suas lindas muralhas com uma bela escadaria e ascensão, depois disso selecionei o maior pico que encontrei no mapa e liguei os pontos num track.

Sete e pouco estava na única vendinha aberta do centro histórico comprando uma água grande. Na mochila todo o necessário para uma expedição em solitário; gps, muita comida, casaco, capa de chuva, luz.

A trilha da subida sai de dentro da muralha mesmo.

Começa a longa escadaria, e a cada passo a vista vai se mostrando mais incrível.

Nessa hora da manhã cruzo apenas com alguns corredores que estão se desafiando.

Quase no fim da subida o track apita para eu virar. A muralha tem uns patamares com janelas e vistas. Fico rodeando e não acho. Resolvi subir até o alto da muralha para conhecer e conquistar.

Volto depois para tentar achar o desvio da trilha. Nada. Vejo uma janela fechada e deduzo que possa ser ali.

“Chat, existem relatos de que a trilha possa ter o acesso fechado?”

Afinal minha suspeita era real.

Ainda ponho a cabeça pra fora em outras janelas da muralha para estudar a possibilidade de “desescalar” o paredão de pedra para o outro lado. Impossível, muito alto e perigoso.

Resolvo então fazer o inevitável, descer tudo e recomeçar pela outra trilha.

Aproveito para comprar a coca cola que estava faltando para minha expedição.

A trilha que sobe por fora é um zig zag incrível no meio da imponente montanha com vista linda para parte de fora da muralha.

Dali consigo enxergar a janela secreta cimentada. “Desgracados!”

A medida que subo a muralha vai ficando abaixo e as montanhas começam a ficar pequenas.

Um dia épico na montanha. Sem ninguém; era exatamente isso que estava procurando.

Subo tanto que já enxergo não só a baía de Kotor mas também o mar aberto. Os fiordes da baia já estão abaixo de mim.

Mas no meu track ainda falta muito para o topo, eu olho ao redor e não vejo nenhum pico visível.


Entro numa trilha fechada e na placa nenhum destino bate com a minha quilometragem.
Vejo que a brincadeira ainda vai demorar boas horas. “Será que sigo?”

Sim, claro que sim. O track está no relógio, missão dada deverá ser missão cumprida.

A trilha às vezes fica bem pedregulhada e eu palmilhando com meu tenis barefoot.

Saindo do bosque o ponto que mais se via Montenegro; todo seu litoral e a baia de Kotor já parecia pequena.

Mas nada de ver o topo para onde eu caminhava, corto o asfalto e penso que talvez na volta, se a coisa apertar poderia pedir uma carona.

Agora sigo um campo aberto onde mal se vê a trilha, vou azimutando e vendo os picos altos já começo a ter ideia de que os três quilómetros que faltam (que depois viraram 4) são de pura subida.

Faço uma curva e…

Lá está ele, o pico nevado, cheio de antenas. Só pode ser aqui, a montanha mais alta do parque.

Eventualmente meu track termina, mas ainda tem estrada para o topo.

Agora a conquista é questão de honra.

A neve ainda por derreter deixa a conquista mais saborosa pensando que saí do nível do mar.

Ainda acrescento quilometragem ao track, meu plano inicial daria em torno de 20 k o dia, mas a janela cimentada da muralha acrescentou uns bons k a mais, e agora o topo, mais alguns.

Depois de mais de seis horas de ascensão alcancei os 1700m do pico mais alto do parque.

Hora de descer. Na volta vim tropeçando em corações. Como se a montanha estivesse agradecendo a visita, e claro, a Lurdes visitando meus pensamentos.


Os últimos quilómetros foram mesmo doloridos, meus pés já não aguentavam mais palmilhar as pedrinhas.

Final memorável de um dia épico que acaba com um pedaço de pizza e de volta ao meu quartinho de apartamento no centro da tumultuada Kotor.

Trinta quilómetros para conta! Life is good!

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One Response

  1. Já me torno repetitiva, mas nunca é demasiado dizer que admiro a tua coragem, essa vontade de explorar e mostrar ao mundo que a nossa força e vontade tem que ser superior à preguiça de não querer sair da zona de conforto ♡
    Te amo Mana

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