“Eu quero um remo longo, épico e não aborrecido.”
“Ok. Teremos que sair às 6:00”
Foi a troca de mensagens que tive com Jeff na véspera.
Às seis estava de pé. Encontro com ele, um senhor com ar de moleque, que, andava para um lado e pro outro indeciso com as opções de remada.
“Porque você tinha dito rio?”
“Porque acho em rio as remadas mais interessantes; a paisagem muda. Você não fica horas olhando o mesmo cenário.” Respondi com a última experiência em mente (dos 15k de caiaque no mar da Croácia.)
“Mas a remada no mar pode ser muito bonita, e não precisaremos andar tanto de carro.”
Para mim servia qualquer programa, ele deveria saber escolher melhor que eu.

“Podemos remar até Budva, esse é um remo que dificilmente eu poderia fazer com mais alguém.”
Fomos de carro com as pranchas na capota até uma baía pertinho da casa, mas não sem antes dar bom dia para Brownie.

Pranchas na água.
A entrada não mar impressiona; as cores e tons de verdes e azuis são hipnotizantes.

Saímos da baia, viramos em direção ao sul.

Conquistar Budva pelo mar me parecia uma excelente ideia.

A distância enxergava se uma ponta; acerta o azimute e vai.

O vento começou a entrar, as ondas aumentaram e trouxeram o sofrimento.
Jeff remava na frente com pouca distância.
Uma hora de remada naquele cenário igual, levando com o vento na fuça.
“Remada que não fosse vendo a mesma paisagem, caramba!” “Isso que chama de remada interessante?” Eu resmungava para o vento sozinha. Argh! Não dava nem para relaxar.
Depois de muito tempo remando, lutando contra o vento passamos a ponta, e aí aparece o que?
O mesmo cenário e outra ponta.
“Ah, fala sério?!”
Um pouco mais para frente Jeff entra numa pequena baia, e põe sua prancha sobre as pedras.

“God Job! You are not tired?!”
Senti um certo espanto na entonação da sua pergunta.
“Não!”
Sentei na prancha e resolvi comer alguns pistaches, já que meu novo amigo estava estatelado na pedra.
“Você rema no inverno?”
“Não.” E pensei que aliás esse deve ser dos meus primeiros da temporada 26.
“Eu não sei se será possível chegarmos a Budva. O vento está muito forte.”
“Que pena, mas entendo, você é o guia, concordo com sua escolha, seja qual for.”
Subiu na prancha e seguimos na direção pretendida, sem tréguas do vento. Estava tão batido que ele caiu na água.
Remamos pouco a mais quando faz sinal para para voltarmos.
“Com esse vento vamos demorar mais 2 horas para chegar, e uma para voltar. Melhor voltarmos!”
É só virar a prancha que aquele barulho de vento some e começamos a deslizar, agora, com ajuda das ondas.

Quando entramos de volta à baía, e estamos junto à costa fica tudo lindo de novo.

Na pequena praia onde entramos na água tinha um restaurante. Daqueles bem locais, que serve frutos do mar pescados no dia.
Calamare, rodelas de Lulas empanadinhas, batata frita caseira e uma salada grega….hum!
“Que delícia!”
Ficamos trocando figurinhas de trabalho, clientes, percursos e estilo de vida. E no meio da conversa ele ri de si mesmo:
“Eu fui muito cavalheiro em voltar, você não ia aguentar a remar até Budva!” E completa:
“Eu não sabia que estava guiando uma guia!”
Hahahaha
Quatro horas e vinte em cima da prancha! Dezoito quilómetros para conta, com perrengue. Se fosse fácil não dava história.


