Loire 725 Jour 2 e a batalha contra o corte

fotos Moab Felipe

Acordamos às 5 para nos prepararmos para entrar pontualmente na água às 6 horas.

O Moab prepara o café da manhã; tapioca e chocolate enquanto a gente se certifica que temos todas as comidas no colete e na mochila, e camel backs abastecidos.

Foi só entramos na água para começar a chover. A previsão do tempo dos primeiros dias de competição era muito quente e o calor trouxe chuvas e trovoadas.

Saímos junto com mais competidores que estavam acampados no mesmo lugar que nós. 

Hoje era dia de corte; pelos nossos cálculos teríamos que remar 80 quilômetros até às 5 da tarde.

A paisagem selvagem do Loire nos primeiros dias, para gente, lembrava a muito o Brasil; no primeiro dia talvez borda ciliar; rio largo com margens repletas de mata. No segundo dia o trecho sinuoso de rio lembrava o Pantanal; enormes pastos com gado, horizonte verde.

A velocidade da correnteza estava boa o que nos levaria rapidamente para primeira grande portagem da prova.

Desde que saímos fomos monitorando pelo whatassap a logística com o Moab. A portagem em Decize tinha quase 1 quilômetro.

O Moab já deixou a nossa segunda prancha cheia perto à entrada da água, assim quando saímos foi só preciso pegar a quilha, a mochila e sair correndo. O Moab desfilava na frente abrindo o caminho e eu e a Dri corríamos nos divertindo. Correr e mexer as pernas sabia bem, mudar os músculos! Ufa!

Foi outro momento animado da prova onde passamos muitas equipes que perdiam tempo nessa logística de ter que transportar as embarcações por terra. Muitos apoios e as outras equipes torciam para gente. Já começávamos a mudar um pouco a nossa imagem e ganhar mais credibilidade.

Sempre com a estratégia; “Cansadas nós? Naaah! Tá fácil.”

Passamos pela equipe da Guatemala que estava arriada no chão. “Vamossss sudamerica!”

Nós juntos ali representávamos um continente.

Logo estávamos na água remando novamente. Comemoramos a nossa vitória e seguimos mais uma vez emboladas com mais competidores.

Antes do corte ainda teríamos que passar outra portagem; “Haja coração.”

Nevers. Mesma estratégia, o Moab deixou a prancha cheia após a ponte da portagem.

“Venham pela esquerda do rio.”

Antes mesmo de chegar nele a prancha já começou a atolar pela falta de água do rio. “Tira a quilha! Tira a quilha!”

Pegamos a quilha e saímos correndo e abandonando a embarcação; “Moab você resgata a prancha depois!” Faltava pouco tempo para o corte.

Passamos correndo pela equipe de nossos amigos em caiaque, que tranquilos faziam a transição e nos disseram “Não se preocupem já estamos dentro.”

O corpo da Dri tava começando a dar sinais de cansaço; o calor o acúmulo de quilometragem aliados ao estresse do  ritmo para não pegar corte estavam se manifestando. “Pega aí na sacola tudo o que vc precisa, vamos entrar na água.” Munidas novamente partimos ao ataque.

A barreira horária era na junção do Loire com outro grande rio, Allier, mas diferentemente de uma corrida de aventura não tinha ninguém ali para controlar nada.

Perto da gente tinham muitas pranchas de SUP inclusive da Marie, uma competidora que fazia a distância em sup a solo. 

Na preocupação, mandei mensagem para o organizador da prova perguntando onde especificamente era o corte. A resposta nunca veio.

Missão cumprida! Agora era focar no objetivo de quilometragem do dia. Tudo isso poderia ser “fácil” se o vento não começasse a castigar. “Minha nossa, olha esse vento contra.”

Todas as manhãs a gente analisava o vento do dia, e planejávamos de acordo. Mas ainda assim, as vezes, enquanto a Dri remava, eu consultava o Windy para ver se poderíamos ter mudanças.

“Ix! O vento hoje não para mais até as 10! Talvez seja melhor refazer planos.”

Deixamos a Marie e o Xavier pra trás enquanto focamos na remada contra o vento e programamos com o Moab a parada do dia.

Com 13:40 em cima da prancha e pouco mais de 100 k, fizemos a parada do dia. Optamos por deixar o corpo descansar um pouco mais cedo; já que estávamos no nosso limite de esforço e não tínhamos muito mais forças para brigar contra o vento.

Quando chegamos as barracas já estavam montadas perto da margem mesmo onde saímos.

Sopa e cama. Banho? Pra que?

“Moab, e se chover?” 

“Não vai chover não!”

Nem preciso dizer que às duas da manhã estamos mudando a barraca de lugar para não ficarmos ensopados.

Daqui mais 3 horas o despertador toca. 

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4 Responses

  1. Nossa lembrei desse dia inteiro.
    Sensacional nossa estratégia de postagem.
    Yhaaaaa… te amo Mana💗🌸

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