Sevilha a Puerto Serrano {Andalucía Day 1 e 2}

Total pedalado 83 k Ascensão 750m Tempo de viagem 8h46 horas pedaladas 6h23 

Os 70 km previstos do dia, pelos meus planos, dariam ao menos 7 horas de viagem, e seriam ousados não só pela escolha de rota, mas pela quantidade de dias disponíveis que tenho para fazer o reconhecimento da viagem que a Flower People X guia em setembro; os dias terão ser otimizados.


Um dia em Sevilha serviu bem para passear pelo centro, pegar a bike e terminar os planos. Sair de cidade grande de bicicleta é, na maioria das vezes, complicado. Sevilha tem boas ciclovias que facilmente te levam para todo lado da cidade, inclusive fora dela.

Os arredores da cidade não são nada bonitos e muito sujos. O percurso traçado é bem seguro me tira sempre de ruas ou estradas movimentadas. E quando isso acontece já é bom se preparar porque o perrengue está por vir.

Andaluzia é uma das regiões ensolaradas do mundo, pouco chove por aqui, coisa rara que aconteceu nos dias antecedentes a viagem, assim o percurso ficou bem molhado.

O traçado me surpreende mas no começo do percurso ainda tenho boa disposição e humor. “É sério que já vou ter que pôr a bike nas costas?”

Algumas poças são incontornáveis e altamente submergíveis. Eu que tinha olhado a previsão seca pra semana e só trouxe um ténis!

Sempre pedalando na terra; com alforges na bike a velocidade cruzeiro é devagar quase parando.

Quando cruzo uma estrada tento olhar no maps para ver se ela me leva na direção que pretendo ir, mas não. Fica no track e encara o perrengue!

Já mais afastado da cidade a periferia transforma se em horizontais vastos campos.


“Donde vás tan sola y tan guapa?”
“Lejos!”
“Vienes comigo?”
“No! Gracias!”

Em Los Morales uma aldeia na metade do caminho, com quatro horas de pedal, paro para comer um sanduíche com jamón.

Hoje é domingo, melhor aproveitar o que estiver aberto e garantir se com o que quer que seja. Estava uma delícia. Seria a fome?

Abastecida, sigo viagem.

A lama vai ficando cada vez mais pegajosa e começa acumular no para lama (literalmente nesse caso).

Chega um momento que a roda não gira mais. Sou obrigada a parar achar um graveto qualquer e tentar “desentupir” as rodas. (Sim não é a primeira vez que você lê sobre isso nesse blogue.)

Faço um serviço mais ou menos; na briga com o barro sua dureza venceu meu cansaço.

Sigo mais um pouco até que chego esgotada a Coronil, outro pequeno povoado. Ali tiro os alforges da bike e tiro o barro com mais afinco.

Quando volto para o track ele me manda novamente por caminhos de terra. Ah não! Overdose de barro. Não aguento mais fazer esforço.

Preocupada com a quilometragem que ainda falta (20k) e com o sol que caminha focado no horizonte opto pela “carretera”.
Totalmente iluminada e com refletores sigo pelo asfalto com ganas de chegar.

Com quase nove horas de viagem, já no escuro e frio chego ao destino final, a antiga estação de trem transformada num hostel. Ufa!

Boa noite!

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