Rat Race Day 3 Kayak n Run

“Como é que vocês decidem a dupla do caiaque?”

Fiquei curiosa em termos profissionais e pessoais.

“Basicamente quem veio com alguém já está parelhado. Os outros a gente junta meio que aleatoriamente.”

Aleatoriamente seria muito arriscado.

“Posso saber com quem estou? Não me importo com classificação ou velocidade, mas não queria ter que compartilhar horas num barco com alguém que não me conectei.”

Minha dupla seria uma francesa, super simpática, mas menor ainda que eu.

“Será que não seriam melhor dois caiaques mistos?”

“Toda razão Luli! Vai ficar muito mais equilibrado!”

Malcom meu novo dupla é super divertido; a gente poderia chegar em último, mas as risadas eram garantidas.

“Qual será nosso plano?”

“Quero chegar na frente do Steve! Quero ganhar na corrida.”

Afinal, a competição não foi deixada de lado e agora potencializada.

“Vamos!”

O inglês trouxe também o mau tempo para a batalha. O dia amanheceu cinza e ventoso.

O guia do caiaque anuncia que até a primeira ilha provavelmente chegaremos, porque estamos um pouco mais abrigados do vento. A segunda parte à tarde? Bem, logo vê se.

A conversa e diversão da primeira hora de caiaque deu lugar a esforço e sofrimento nas duas seguintes.

Seguíamos em terceiro atrás de dois holandeses e de Mark e Cork (o macho alfa perdido de ontem😁)

Foi só sair do abrigo da estreita baía que a coisa apertou; ondas e vento contra.

Lembrei tanto das corridas de aventura (toda competição de caiaque que tenho vem de lá) dos perrengues e longas remadas. Aquelas que como essa a gente repensa as escolhas.

“Gosto da dificuldade, se fosse fácil não teria graça.”

Onde é que eu já ouvi isso?

O frio começou a apertar e só o esforço físico não estava sendo aliado suficiente para esquentar.

“Preciso por meu casaco.” Foi uma breve parada mas começamos a perder posições, não sei se os caiaques de trás foram rebocados ou se estávamos a perder motor.

Ali já estava com muita vontade de fazer pipi.

“Não deve faltar muito.”

Uma hora depois a gente olhava para frente e via ainda a baía pequena.

O melhor plano seria fazer xixi ali mesmo. O caiaque tem escoamento. Não podemos perder mais posições. “Sério?!”

Depois de um total de quase três horas atracamos na praia e era hora de fazer uma rápida transição para poder seguir com o plano.

“Vai lá corre! Honra nossa equipe e chega na frente de todo mundo.”

“Você leva minhas luvas?”

“Correeee!”

Eu também tentei fazer uma rápida transição, mas ainda precisava me recompor e tomar um banho de mar, depois da estratégia utilizada.

Segui correndo para a perna de seis quilómetros que atravessaria a ilha.

Logo alcancei o Yurriën, um dos  primeiros a chegar na praia de caiaque, ele estava sem o track e em algumas bifurcações me esperava.

“É sempre por aqui.”

Ele seguiu sem olhar pra trás.

Torcia fervorosamente para o Malcom estar na frente de todos.

Na última curva para praia vejo o Corc na minha frente. Ah não!

Travessia feita! Fui a quarta a chegar, o Malcom chegou em primeiro. “Yeah!”

E sim, isso não é uma competição! Imagina se fosse.

Depois de dois sanduíches e uma longa pausa nesse bar, para esperar todo mundo chegar era a hora de encarar a segunda perna do caiaque.

A organização da RatRace e os guia do caiaque estavam na maior discussão  estratégica do que fazer. O vento estava mais forte e as condições bem mais complicadas para remar até Dubrovnik.

Kate a líder da expedição vem falar comigo: “Teremos que ir por um plano B, porque do jeito que está o mar não é seguro para a maioria dos competidores, e eles nem querem remar até Dubrovnik. Eu gostaria de saber se tudo bem essa decisão para vocês.” E continuou

“Quero que saia daqui totalmente satisfeita.”

Kate, sabia que temos a mesma profissão e gostaria da minha aprovação, e como organizadora de eventos tão similares eu nao poderia discordar;

“Estou feliz de qualquer forma, entendo que segurança deve ser sempre a primeira escolha, e se isso é optar pelo plano B, vamos lá!”

Já passei da fase onde me frustraria por remar dez quilómetros a menos.

Antes de darem o segundo apito a organização ainda confirma;

“Mais alguém quer vir no barco? No máximo mais dois atletas, porque já temos seis.”

A segunda perna do caiaque foi mais endiabrada que a primeira porque o vento estava de lado. Outrq uma batalha.

Será que dessa vez ficaremos em últimos?

“Luli essa é a volta dos vitoriosos, já ganhamos ali na praia. Isso é só a comemoração!”

Hahaha! Doce maneira de desligar o botão competitivo.

Depois de quatro quilómetros, atracamos no continente, numa praia daquelas lindas; seixos brancos e água turquesa.

“Dezenove quilômetros de caiaque. Tá mais do que bom!”

Todo mundo se cumprimenta e comemora o fim de três dias intensos de multi esporte e expedição!

Ratrace Croatia agora é memória colorida e mais uma linda medalha para coleção!

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