Já vim preparada para o “não preparo” de cinquenta quilómetros. Modalidades diferentes ultimamente, mas principalmente a falta de treino de volume na corrida.
Eu já “namorava” a Rat Race faz alguns anos, principalmente essa competição multi esporte aqui na Croácia, mas nunca conseguia encaixar com a data no meu calendário de trabalho. Nesse ano consegui, já sabendo que, provavelmente, chegaria aqui sem treino.
Antes das 5 da manhã estávamos de pé para pegar o ônibus para atravessar a ilha.
Fotos com minhas novas amigas inglesas na largada.

A largada essa, que apesar de tímida era engrandecida pela escolha do lugar; o visual incrível e a luz da manhã pintavam o melhor dos cenários.

Começamos subindo pelo asfalto. Já larguei com meus trekking poles abertos, dessa vez resolvi traze-los na esperança de que os braços pudessem aliviar um pouco as pernas.
Depois da subida no asfalto entramos num singletrack, aqui eu passei todo mundo.
“Flores” Vamos tirar foto, agora com as minhas amigas holandesas.

A alegria do singletrack durou minutos, logo estávamos no asfalto novamente.

Uma parte de gravel, Ali passei por um senhor do campo que me cumprimentou entusiasmado e segui contagiada.
Voltamos pro asfalto e foi um longo percurso até encontramos com o mar novamente. Dezesseis quilómetros mais precisamente.

Eu estive muito tempo sozinha, fiquei posicionada entre o grupo da frente e o de traz.
Dos 16 até os 24 continuei numa estrada de asfalto que não mudava de cara. Sofrendo com o psicológico.

Ai pensei que o dia de hoje talvez pudesse ser bike. Mas a verdade é que quando se cria um percurso de travessia nem sempre conseguimos um percurso 100% incrível. Quando finalmente o mar azul da Croácia mostra a sua cara:

No 24 estava o ponto de abastecimento, lá Sue, uma staff muito querida que tem cuidado de mim especialmente. Comi um wrap enchi o tanque de coca cola e segui.
Nem um quilometro para frente uma cobra no asfalto, era bem pequenina, inversamente proporcional ao meu susto, pulei sobre ela que assustou mais que eu provavelmente. Obvio, que depois do briefing de ontem a cobra ia aparecer pra quem? Depois fiquei sabendo que mais pessoas viram cobras hoje.

Do 24 ao 36 o percurso era um “rompe pernas” sobe e desce numa estrada de gravel que tinha vistas bonitas sobre o mar.

Aqui eu já estava quebrada, e o calor castigando. Quilometro 36 ponto de abastecimento:
“Mas você é brasileira e não lida bem o calor?” em 20 anos de competição talvez essa pergunta é a que eu mais escutei. Arghhh!

Os quatorze finais beiravam mais o mar e começava a passar por uns vilarejos, o que serviu para distrair um pouco a cabeça que já não via a hora de chegar.

Como esse país é bonito. A cor da água é surreal!
Aqui eu só conseguia caminhar; os trekking poles me ajudaram incrivelmente (nada como ter os braços bem treinados) eu medi a diferença entre estar com ou sem, e eles me poupavam mais de um minuto por quilometro.

Faltando pouquíssimo para o final um barco Selva, minha primeira assessoria da vida, lembrei do Caco meu treinador de corrida de aventura e seu lema “Quanto pior, melhor.” “Vai Lulis, tá chegando!”

Uma curva e a penultima baía… Ah Croácia!

Finalmente Korcula! Agora era seguir para linha de chegada.

Cinquenta quilometros agora são história, coloridos por um mar azul cristalino.

Primeiro dia feito. Faltam dois. Yhaaa!



One Response
Esse dia deve ter sido incrível!! ( eu adorei!!!) anseio pelo próximo relato, com fotos de tudo, tudinho!! ( porque viajar à boleia requer muita reportagem 🥰🥰)
Beijo manaaaaa , agradeço contigo o dom da vida♡