Acordei mais um dia com aquela vista incrível e sol.

Após alguns dias no mesmo lugar, já sei os caminhos e conheço os lugares próximos. Fui tomar café da manhã num deles.

Depois do dia longo de ontem, não tinha programado nada para hoje, porque não sabia como iria acordar. Hum! Até que estou bem. Resolvi então matar mensagem para Jeff.
“Posso ir remando até a Nsa Senhora das Rochas?”
“Claro que sim! E se você não quiser voltar remando me avisa que a gente pode te buscar.”
Pedalei até um hotelzinho na costa onde tem algumas pranchas para alugar.

Larguei minha bike lá, peguei a prancha e o remo dizendo que eu tinha autorização do chefe e entrei na água.

Segui até a primeira ilha que tem na baía. Foi só eu me afastar um pouco que o vento já começou a soprar, estava meio de lado, mas caudal.

Olha que maravilha de água.

Logo depois da ultima mensagem Jeff tinha me mandado uma localização, eu abri, vi que era um restaurante numa prainha super cool e imaginei que seria uma boa recomendação para almoço.

Era um pouco antes da ilha da Nsa Sra, então o plano era esse; eu pararia lá para almoçar.
Depois de muito tempo remando, já morrendo de fome, chego finalmente lá.

“Está fechado!!!” mando mensagem.
“Não precisa estar aberto!” “Você pode sair da água que a gente te busca aí!”
Hahahaha e eu achando que a mensagem era outra. “Ainda vou remar até Perast, depois qualquer coisa aviso.”

Lembrei de um restaurante que eu tinha passado na frente quando contornei a baía pedalando rumo a Kotor. Boa! Vou atravessar o canal e comer do outro lado. Estaciono minha prancha no pier do restaurante e subo de remo em mãos.

O bar restaurante tem uma vista privilegiada para os paredões de pedra mais impressionantes, e claro, para as nossa ilha predileta.
Sento dentro (nesse país tem muito fumante e ninguém respeita nada!) e peço um polvo. Hum!

De sobremesa um cheese cake, que estava quase tão bom quanto o cheese cake da minha avó (eu disse quase!).

Depois volto para água em direção a ilha. Aqui está ela; tão bonita e colorida. Marinheiros encontraram um ícone de Nsa Sra em uma rocha em 1452, e depois disso diz a lenda que marinheiros jogavam pedras no lugar e até afundaram navios carregados ali para que ao longo dos séculos formasse uma ilha. A igreja foi construída em 1630, e reformada em 1722. A tradição de jogar pedras aqui sobrevive ao longo dos anos e todo dia 22 de junho é mantida, num ritual de festa.

Dou a volta na ilha apreciando do mar, longe de onde os turistas passeiam.

“Posso tirar uma foto sua?” pergunta uma mulher entusiasmada com minha conquista. “Você é muito brava, está muito vento.”

Ainda vou até a outra ilha ao lado antes de seguir para Perast.


Em Perast o plano também já estava traçado; deixa a prancha na pequena praia ataca o sorvete e volta para curtir as pedrinhas.


Fico um tempo admirando o movimento de barcos vai e vem com turistas para lá.
“Acho que vou remar a volta, o vento tem previsão de melhora.”
Depois de duas mensagens insistindo que iria remar a volta, Jeff perde a paciência:
“Eu não sei de onde você tirou essa informação, mas o vento não irá melhorar pelas próximas duas ou três horas.”
“Ok, estou indo para o ponto de encontro.”
Eram menos de dois quilómetros que eu tinha que remar para voltar para praia do resgate. Que vento! Insano; vento ondas, uma batalha daquelas. Para virar o quilometro eu estava demorando 23 minutos, dez a mais de uma media tranquila de remada. Ali agradeci em pensamento a insistência dele em vir resgatar.

Poe a prancha na capota e quando estamos voltando.
“Vai ficar flat!” Diz ele zombando da minha afirmação. “Se eu não tivesse vindo te buscar você sabe onde estaria?”
Teimosa do jeito que eu sou? Remando até amanhã!


One Response
Ah ah ah ah teimosa? Tu??!! Nahhhhh 😂
Vamos falar desse polvo e respetiva sobremesa? Que cara deliciosa!!!
Mais um dia repleto de conquistas e com boas memórias para guardar💕