AIURUOCA a BAEPENDI 38k Ascensão 1.350m Tempo de pedal 8h30 Tempo de viagem 11h +17k de carona de Kombi
O café da manhã em Aiuruoca foi reforçado, aproveitei para me encher de pão de queijo porque sabia que, de novo, o dia começava pra cima.
“Olha, isso é mais que programa de índio, é pior. É ter carteirinha da FUNAI carimbada. Eu hein?! Vocês são loucas!”
Comecei a ficar preocupada com a maneira carinhosa que a dona da pousada descreveu o que vinha pela frente.
De fato a saída de Aiuruoca começava subindo; o asfalto logo se transformou em terra que logo se transformou em um calçamento de pedra pontuda.
A situação ia piorando a cada passo, até empurrar a bike estava difícil. As palavras da dona da pousada ecoavam na minha cabeça.
Quase 15 k subindo, até os céus. Seria esse o Caminho dos Anjos? A paisagem e vistas diziam que sim.
Pouco antes de chegar no ponto mais alto do percurso chegamos no restaurante dos Garcia, um lugar no meio do nada com vista incrível e uma cachoeira que dizem ser uma das mais bonitas do Brasil.
Almoçamos sem pressa e satisfeitas descemos a pé por uma pequena trilha para ver de perto a beleza da cascata. Linda!
“Vamos embora que ainda falta muito.”
Antes da descida ainda tivemos que sofrer por mais 3 quilômetros.
A descida é longa e técnica. Deu para a gente se divertir pouco porque a Dri estava sem pastilhas do freio da frente, e eu dos freios de trás. Ainda deu para aproveitar um pouco antes de ficarmos totalmente sem freio.
“O dia vai virar noite.”
E não demorou muito. Quem pensa que depois da longa descida nos livramos das subidas, se engana. Ainda tiveram boas e ardidas!
Escuro total, celulares com lanternas ligadas estrategicamente posicionados nos nossos tops. Pouco se via.
Achamos uma pousada no meio do nada e do escuro. Pedimos ajuda mas devido às novas regras da pandemia não poderiam deixar a gente ficar. O atendente não se comoveu com duas meninas de bikes sem freios. “A cidade está a 14 quilômetros.”
Voltamos para a escuridão.
Um pouco mais à frente em uma bifurcação:
“Luli vem aqui ver pra que lado a seta está apontando.”
“Dri vê aí!”
“Acho que é reto.”
Nem preciso dizer que depois de pedalar mais 3 quilômetros chegamos a uma igreja numa rua sem saída.
A cidade agora estava a 17k.
“Dezessete?”
Interrompendo alguém que estava no meio da cantoria religiosa;
“De quem é a kombi? Não dá para levar a gente até a cidade?”
O filho do dono da Kombi se dispôs a encarar a quilometragem para salvar-nos. A humildade e o coração das pessoas no interior do Brasil comove. Anjos no Caminho.



2 Responses
Pode ser um caminho duro e esburacado, mas não é em vão que se chama dos anjos! eles estão por toda a parte : ) Esse lugar é mesmo abençoado de paisagem e gentes!
Beijinhos
É tão facil gostar de vocês♡
Cada passo que dão tem magia ♡