Expedição EM BUSCA DO SOL – PARTE II
O sentido mais lógico e viável da remada que eu queria fazer era Setúbal – Alcácer do Sal porque o vento nessa região favorece essa maneira.
O que definiu o meu ponto de saída foi o ecoparque e a logística de deixar o carro ali, pertinho de uma entrada na água.
Alguns minutos antes das oito da manhã já estava em cima da prancha, que saiu carregada com comida e hidratação suficiente para a imprevista aventura.
Eu não tenho muito histórico de remadas tão longas, portanto além da mala de roupas extras e comida, achei melhor levar a mala da prancha; se acontecesse alguma emergência poderia desinflar empacotar e sair para onde fosse.
Os planos B’s são sempre necessários em expedições, os “e se?” merecem dedicação de tempo.
Tracei o azimute do camping; era possível ver quase uma linha reta que cruzava a baía, passava beirando a ponta de Tróia e depois mais ao fundo do outro lado perto do porto dos navios.
A água parecia estar passando rápido sob a prancha.
“Acho que devo estar num ritmo bom.”
Sinto a prancha pesada com a mala e me ajusto rumo a um melhor equilíbrio. O relógio avisa que remei um quilômetro.
“Dezenove minutos???”
Já começo a refazer os cálculos e agradeço os 3 litros de Coca Cola que tenho comigo.
Mas a coisa piora; demoro 50 minutos para remar os próximos 2 quilômetros. Já não vejo o azimute, olho para trás e vejo que o mar está me jogando para fora da baía.
“Isso vai ser uma luta. Ora bem, se continuar assim serão 20 horas de viagem.”
Eu remava contra o sol, os lindos tons de azul não se viam; Tróia ainda dormia. No horizonte eu via contornos dos barquinhos de pescadores que aproveitavam a manhã.
Que grande contraste! Essa baía tem do mais horroroso ao mais belo em poucos metros; uma fábrica de cimento vizinha de praia paradisíaca.
Apesar do meu ritmo lento, a remada estava solta, não fazia muito esforço e segui assim, mais à frente entrou algum vento que me ajudou a melhorar a velocidade.
A dada altura eu encanei com o azimute porque apesar da entrada do rio ser larga eu não queria errar para não ter que remar a mais.
O tempo passava sem muito para me distrair, a paisagem não muda e o horizonte é longe.
Eu queria entrar no rio para achar um lugar bonito e almoçar.
“Só mais um pouco eu chego lá.”
Não chegava nunca e a margem não inspirava meu almoço cênico.
Desisti.
Parei para almoçar em cima da prancha mesmo.
As 13:30 h há muitos quilômetros dali o Rui manda um áudio:
“Como anda isso?”
“Não anda! Estou sentada em cima da prancha comendo. Remei 20 mas ainda não entrei no rio.”
“Estou em uma esplanada a almoçar. Pedalei 140 k muitos deles contra o vento, ainda faltam quase 180!”
As perspectivas eram longas, tanto em uma ponta quanto na outra.
Lembrei que nem sequer tinha olhado a tábua de marés e ao procurar comecei a rezar para que estivesse ao meu favor. Bingo! A maré era entrante até as quatro da tarde. Os sinais começavam as ser claros, apesar do vento me jogar para a margem dava para perceber a intensão da maré em ajudar.
Logo depois do almoço tive ajuda do vento e da maré, a minha velocidade voltou junto com os ânimos.
Olá Sado!
O nome do rio, ali naquele momento para mim era bem sugestivo.
O rio muito largo também não fez muito por entreter a remada, a distração ficava por conta da quantidade enorme de Alforrecas que passavam perto da prancha e dos peixes que saltavam muito. Houve um que saltou quatro vezes seguidas!
A partir dos 30 e poucos meu corpo já estava bem cansado e as rajadas de vento que entravam me jogavam bruscamente para a margem. Umas boas vezes não lutei contra e esperei passar para voltar a remar.
Quando finalmente o visual ficou bonito; rio mais estreito, paisagem verde, alguns morros no horizonte; um avião mono motor ensurdecedor começa desfilar às voltas sobre a minha cabeça.
“Minha Nossa!”
Depois de quase 9 horas de viagem lá estava ela Alcácer do Sal, que parecia anunciar minha chegada com intermináveis badaladas. Que maravilha!
O Rui? Ixxx! Ainda teve que pedalar muito.
RESUMO DO DIA EM NÚMEROS
LULI
Distância remada 42 k
Horas na prancha 8:50 h
Outão Setúbal à Alcácer do Sal
RUI
Distância pedalada 313 k
Horas na bike 11:16 h
Aveiro à Outão Setúbal
No domingo a gente se encontra e brinda a expedição em busca do Sol com aquele almoço regado à vinho.
Tem final mais feliz?



One Response
Até consegui sentir a dor nos ombros e braços, senti as ondas no bico da prancha e o sol a queimar 🙂
Que aventura boa!
Se fosse fácil, não teria piada😁
Quero mais aventuras!
(Esqueço o Júlio Verne, Luli Cox é muito melhor♡)