Acordar bem antes das quatro da manhã não foi uma tarefa fácil tendo ido dormir a meia noite. Grupo formado: Bia, Bruno, Bianca, Carcaça, Dri, Diogo, Lilian, Marcão, Sidney e eu.
Saída para a famosa travessia a entrada da trilha “Boca do Lobo” fica bem perto da pousada onde estávamos hospedados. Quatro e meia da manhã sob o céu estrelado seguimos rumo ao primeiro morro o Capim Amarelo.
O horário de sono não intimidou a turma animada que seguia deslumbrada com a aventura. Nas paradas para juntar o grupo apagávamos o head lamp e fazíamos silêncio. Pouco antes do amanhecer aproveitando os sinais de claridade desliguei as luzes e acelerei o ritmo para conversar com a montanha.
Aprendi que a natureza funciona assim; seja no mar, ar ou terra é preciso pedir licença para entrar. Fiquei a sós. Aproveitei o momento não só para pedir permisão mas para me sentir parte daquele paraíso que estávamos entrando.
O amanhecer estava especialmente mágico, já com bastante altitude era posível ver a cordilheira e uma névoa branca que cobria os vales bem abaixo de nós. Atingimos o primeiro cume com 3 horas de caminhada, lá encontramos com o dono da pousada que pernoitava em barracas com mais dois aventureiros. A Bianca decidiu que retornaria com eles para baixo, nosso grupo agora tinha nove pessoas.
Maurício apontou o famoso Pico da Mina que parecia estar tão perto, talvez em distancia até estivesse.
Seguimos pela crista das montanhas num sobe e desce até o Pico da Mina. Estávamos com apenas 10 k e 6 horas de trekking, era possível ter uma boa amostra do que vinha pela frente.
No cume mais pessoas acampando (essa seria a segunda parada para aqueles que fazem a travessia em 3 dias) Uma parada para escrever no livro de assinaturas e siga! Depois do Pico da mina a descida é para o famoso Vale do Ruah, aonde está um dos dois únicos pontos de água que a travessia toda possui. Ali fomos apresentados ao nosso pesadelo; o tal capim (ainda não descobri se é capim elefante ou de anta, mas enfim o nome não importa) assassino!
Fazia tempo que não passava por perrengues como esse: “Meninos sabem aquela vontade que eu estava de fazer um Ecomotion? Acabou de passar!” Aquele nobre e famoso momento do “que raios eu estou fazendo aqui?” mais uma vez tomou conta de toda célula do meu corpo.
Enquanto isso a Bia alucinava ao meu lado: “Um carro! Estamos salvas!” era um arbusto de hortências. A situação estava ficando grave, e pelo visto não era só para mim.
Headlamps acesos passamos por um hotel abandonado, tudo meio fantasmagórico quando depois de “bater a cabeça” para achar a trilha, alguém descobre um caminho para seguir. Quinze minutos andando e acreditem; batemos exatamente no mesmo local. Sinistro!
Finalmente achamos a trilha que nos levaria até a estrada onde a van estaria nos esperando, agora com cervejas quentes?
Foi um trekking de gente grande num grupo bem homogênio; uns recém chegados de Ecomotion, outros se preparando para provas duras como o Mont Blanc. O ritmo de todos se manteve bom até o final, o meu ritmo nas últimas horas foi o mais fraco da turma.
“Meu Deus! 27 k em 17 horas! Foi o trekking mais duro que já fiz na vida.” provavelmente os nove pensavam na mesma coisa enquanto felizes entravam na van.
Obrigada à todos vocês pelas 10 primeiras horas de trekking, semana que vem (seguindo a lógica da cabeça de corredor de aventura) prometo agradecer pelas horas restantes, quando o capim e o sofrimento extra tiverem dado lugar as lindas vistas e intermináveis risadas compartilhadas. Valeu!











2 Responses
Que demais Brasileira! Eu adorava estar aí fazendo esta travessia. Vá programando uma para Março 🙂
Luli ! Que sensacional !!! Vc tem que escrever um livro contando suas aventuras !!! ( um não vai dar….tem que ser vários !!!) bjs