As sete da manhã eu estava na água.
O objetivo era remar até o centro do parque e me perder naquelas cadeias de montanha de calcário que emolduram o Cheow Lan Lake.
Ainda não tem barcos circulando, as riscas de névoas são como pinceladas sobre as montanhas recortadas. Natureza perfeita. Que emociona.
Saio sempre muito atenta a navegação. É difícil navegar em represa cheia de braços e ilhas; a paisagem tridimensional muda a todo instante. Olho sempre para trás para poder voltar, marco referências e traço azimutes.
O gps do celular funciona (porque eu havia baixado todo o mapa da região antes de sair) mas saber navegar e me localizar é o back up.
Fez me lembrar discurso de um amigo sobre a diferença de maluquice e aventura; “Não sou maluca; tenho comida, água, roupa extra, celular carregado, gps tracker com socorro se preciso, estudei o mapa, o plano de emergência, tenho apito, sei a previsão de tempo e do vento, avisei para onde vou para família e o staff do hotel.”
Maluquices planejadas costumam ser aventuras de sucesso. Claro que risco sempre existe, mas quando estudado pode ser bem minimizado.
“Ninguém nunca fez isso.”
Vendo aquele paraíso de remar as palavras do gerente do hotel ecoavam na minha cabeça. Sorte a minha!
Cheguei no símbolo do parque, só havia um pequeno barco com um casal, o motor estava desligado e o lugar estava em silêncio. Havia respeito. Sentei na prancha e fiquei absorvendo o entorno.
Coisa que fiz para chegar até aqui. Remar é conhecer intimamente os lugares. Tirei fotos e resolvi seguir acompanhando mais o paredão alto cercado de montes. Prendo a GoPro num tronco para foto. Olha esse cenário!
A tarde poucos barcos começam a passar; levando os turistas de um lado ao outro. Mas não pense que são muitos não. O parque é inóspito: São 739 quilômetros quadrados de área sendo que 165 são de lago.
Os barcos passavam muito distantes de mim, a maioria acenava. Eu certamente causava estranheza porque estava afastada de qualquer hotel numa prancha de ? SUP ?
Devo ser mesmo a única embarcação não motorizada que passou aqui.
Um deles:
“You Ok?!?!”
“Ok! Thank you!”
Quando passou outro muito a distância gritando:
“Water?”
Eu acenei que não, e agradeci.
Me emocionei de novo. (Nossa como eu tô chorona, não?!)
Em nenhum momento dessa viagem me senti ameaçada, muito pelo contrário, senti até excesso de proteção.
Lembra a Tailandesa de ontem? Quando eu voltei à civilização dois dias depois tinha mensagem dela perguntando se eu estava bem.
Como prometido cheguei no hotel na hora do almoço.
“Did you paddle for seven hours???”
Uma simpática hóspede do hotel veio me fazer perguntas.
“You are amazing!”
Depois de almoçar, fui conquistar aliado.
Bil, o gerente do hotel disse que estava fazendo o possível para convencer seu chefe. Aí eu lhe expliquei a diferença de maluquice e aventura. “E tem mais, hoje eu remei 25 k, a mesma distância que tem o remo de amanhã!”
Quando voltei para jantar ele me esperava no restaurante com seu laptop aberto:
“Let’s talk about the plan!”
Me mostrou foto de onde eu deveria sair da água, me deu o contato do staff que estaria me esperando no píer para desembarque e pediu que antes que saísse na manhã seguinte tirássemos uma foto para mandar pro pessoal de terra.
Operação unicórnio é realidade.
“Amanhã 5:45!”



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Minha maluca aventureira com a cabeça , coração e pés repletos de discernimento ♡ te amo Lu♡