Agora era hora de ir para Khao Sok.
Quando pesquisei a Tailândia e vi fotos do parque fiquei apaixonada. Khao Sok fica 150 k ao norte de Phuket, na região central do Sul do país.
Como a competição Spartan me trouxe para o tronco da árvore (o formato do país parece uma árvore com tronco e copa) não podia deixar de conferir o que me chamou atenção.
A construção de uma enorme barragem deu origem a um lugar paradisíaco.
Nas fotos me lembrava Guilin (China) e ao chegar na entrada do parque me deparei com os dizeres:
Além da paisagem obviamente, Khao Sok me atraiu porque é fora da rota turística principal do país. Quando li algumas avaliações dizendo que era muito sossegado e não tinha o que fazer aí tive ainda mais certeza da escolha.
Meu objetivo era remar SUP na represa, mas nas pesquisas que fiz não encontrei informação; a única empresa que organizava tours por lá era de Phuket. Mandei mensagem mas, por ser só eu, não me acharam uma potencial cliente, e mesmo assim ficaram sem saber me dizer se era permitido remar por todo parque.
Reservei então um pequeno hotel com bangalôs sobre a água que ficava bem no meio da represa. Logo após a reserva me enviam a mensagem dizendo hora e local para estar no píer da entrada do parque para pegar o barco para o hotel.
“Posso ir com um caiaque até o hotel?”
“Cara Luciana, Nossos caiaques estão disponíveis para nossos hóspedes apenas no hotel para remar perto do mesmo.”
“Mas posso ir remando MEU caiaque?” (Era preciso tentar toda e qualquer estratégia)
“É muito distante e muito perigoso, passam muitos barcos no local. A senhora pode remar próximo o hotel.”
“Mas quão longe posso ir.”
“Quanto quiser, lembrando que não existe cobertura de celular no parque.”
Humm já ganhamos algum território.
Foi ali naquele dia de praia véspera de prova que veio a epifania; era um sábado quando resolvi que iria comprar uma prancha de SUP para o ataque. A Tailândia é um país barato então certamente iria encontrar uma prancha de acordo.
Achei um distribuidor com loja na ilha Phuket e uma prancha perfeita!
Para crianças e adolescentes, é essa! Prontamente enviei um whatssap para loja perguntando se eles tinham possibilidade de me entregar até o dia seguinte. A mulher da loja teve uma eficiência de poucos, em menos de uma hora me responde que eu tinha que pagar imediatamente porque ela tinha até 1 hora para levar a prancha ao correio.
“Tem certeza que chega amanhã?”
“Sim!”
Estava então oficialmente em andamento: operação unicórnio.
Quando cheguei ao check in no pier já estava munida, mas ainda precisava de mais informações.
Para não perguntar diretamente para os agentes do hotel resolvi ir direto aos guardas do parque.
“É permitido remar em toda a extensão do parque?”
A resposta foi:
“Duas horas.”
A Tailândia tem dessas coisas “lost in translation” como não foi a primeira vez que me aconteceu resolvi nem insistir. Melhor garantir o “…mas eu perguntei se podia!”
“É essa bagagem que vc vai deixar aqui no píer?”
A moça se referia a minha mala de unicórnio.
“Não, não. É essa mochila!
Para que alguém levaria uma mala daquele tamanho para passar dois dias numa “ilha”!?
Mal sabia ela.
Comportada entrei no barco como todos os hóspedes. A viagem de demora 1h30 até o hotel. Antes mesmo do barco sair já estavam todos na conversa.
“Da onde você é?”
Tinham americanas, tailandeses, israelitas. Do meu lado um casal de tailandeses super simpático.
O píer de entrada fica quase junto à barragem. É na metade do caminho que passamos um “portal” alto de montanhas e estamos num dos cenários mais lindos!
Rapidamente a Tailandesa tira o colete e “se joga” na frente do barco, dando instruções minuciosas para o marido de como ela queria a foto. Eu entrei na onda e gritei para ela “Olha para o sol!”
Uns vem pela foto e outros para remar, mas talvez muito graças aos que vem pela foto que estou aqui agora. Depois que ela desceu da proa pegou meu celular e me fez fazer o mesmo. Que figura!
É parte da programação parar no lugar onde tem 3 torres de pedra que são o símbolo do parque, ali todo mundo foi tirar foto.
Eu, além de posar para foto, olhava o entorno e estudava o relevo e o mapa. Marquei o ponto no gps.
“Pode remar até onde eu quiser? Rá! Me aguardem!”
Dali até o hotel a paisagem emociona. Que espetáculo da natureza; aqueles montes e montanhas cheios de vegetação banhados por uma água esmeralda. Wow!
O hotel tem apenas 11 bangalôs, um restaurante central incrível com piscina. Hora de almoçar e depois do descanso, hora de testar a artilharia.
Enchi a prancha e sai sem destino, no horizonte um arco íris enorme apontava o caminho. Oi?! Na ponta da minha prancha também tem um arco íris!
O universo mandando recado. Eu tratei de agradecer.
A noite quando fui jantar avisei o gerente: “Amanhã não irei tomar café da manhã, vou sair para remar!”
“Onde vai? Volta para o almoço? Fique com esse número caso precise de ajuda.”
Aproveitei a simpatia e preocupação e já comecei a prepara o terreno para o dia seguinte.
“Depois de amanhã volto remando até o píer.”
“Mas nunca ninguém fez isso!”
Percebi que ainda não seria dessa e falei : “Vamos por partes, amanhã não tomo café. Volto para o almoço.”
(Operação Unicórnio continua…)


